Direto da Redação

Plano Diretor em Foco

A audiência pública realizada no dia 18 de março ainda reverbera no cotidiano de Imbituba. Com uma participação massiva, os inscritos não hesitaram em expor suas angústias diante do prefeito Michell Peninha. Em alguns momentos, chegaram até a vaiar vereadores e o corpo técnico do município, deixando claro o clima de tensão e insatisfação.

Pano de Fundo

Duas bandeiras principais marcaram o debate: a eliminação da ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) da Praia do Porto e da ACORDI. O mapa deixado pelo prefeito Rosenvaldo Jr. em 2024, para apreciação do CONCIDADE, não corresponde ao apresentado pelo município durante a audiência, levantando questionamentos sobre transparência e coerência.

Interesses em Jogo

O atual gestor de Imbituba atua como construtor, buscando alavancar o setor da construção civil para garantir longevidade econômica. Do mesmo lado de Peninha, o ex-candidato Zaga da Inkor defende a verticalização, com prédios de até 15 andares. Vale lembrar que Zaga é proprietário da Rokni, construtora com diversos imóveis em Imbituba e região, o que evidencia os interesses particulares por trás das propostas.

Problemas Crônicos Ignorados

Diversos participantes clamaram por soluções para problemas históricos do município: esgotamento sanitário, transporte público, coleta de lixo e outros temas essenciais. No entanto, a realidade permanece oculta, já que mudanças mais profundas no Plano Diretor poderiam impactar diretamente os maiores beneficiados pela verticalização da cidade.

Outorga e Limites da Água

De onde vem a água de Imbituba? A água bruta que abastece a cidade vem do Rio D’una, um manancial cercado por extensas plantações de arroz, o que eleva os níveis de contaminantes agrícolas. Além disso, a outorga de Imbituba, em relação à bacia do Rio D’una, só permite captar para abastecer até 100 mil habitantes, número que já é ultrapassado nos meses de verão.

Soluções propostas pelo executivo, como a perfuração de poços, prática utilizada em Laguna e Garopaba, colocam ainda mais em risco o abastecimento hídrico, considerando que o lençol freático local já apresenta sinais de estresse e invasão de água salobra em áreas de extração intensa.

Crescimento x Custos

Assumir os limites de crescimento da cidade implicaria diretamente nos negócios dos principais atores de Imbituba, motivo pelo qual o tema permanece enterrado. Uma alternativa viável seria exigir que projetos de engenharia incorporassem soluções para reaproveitamento de água da chuva ou de águas residuais, seguindo exemplos como o da ALESC em Florianópolis. No entanto, tais medidas encarecem os projetos, e ninguém parece disposto a arcar com os custos.

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