Direto da Redação

O básico bem feito

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Em se tratando de vereador, Michell Peninha era taxativo ao repetir como um mantra: o básico bem feito. Já como prefeito, Peninha não tem conseguido entregar aquilo que defendia no discurso.

O fato é que a população demonstra insatisfação diante do abandono em diversos pontos da cidade: ruas esburacadas, mato tomando conta das vias e problemas antigos que seguem sem solução. A saída da Rua São Camilo, no Paes Leme, é um exemplo claro. Além da tradicional “piscina” que se forma na conexão com a Rua Renato Ramos, o mato do lado esquerdo avança para abraçar o canteiro do lado oposto, quase obstruindo a via. E, ao circular pelo município, percebe-se que o abandono se reproduz nas mais variadas formas.

Servidores insatisfeitos

Um prefeito que não consegue dialogar com seus comandados perde sua equipe e torna a gestão ainda mais difícil. Diversos gestores Brasil afora, na tentativa de “jogar para a torcida”, procuram demonizar os servidores públicos. Esquecem, porém, que esses profissionais têm famílias e são trabalhadores e trabalhadoras como quaisquer outros, que dependem de seus salários para sobreviver.

São garis, professores, merendeiras, técnicos em enfermagem, enfermeiros, médicos, engenheiros e uma centena de outros profissionais que sustentam o funcionamento diário do município, quase sempre longe das redes sociais e dos holofotes.

Ampliação de horário não traduz melhores resultados

A ampliação do horário de funcionamento da prefeitura, anunciada pelo governo de Imbituba, dificilmente trará melhores resultados administrativos para a cidade. O que pode ocorrer, na prática, é o aumento do custo de uma máquina pública que já é cara para funcionar.

Adicionar duas horas diárias representa um custo adicional significativo, sobretudo em uma estrutura que, ano após ano, tem incorporado mais tecnologia e, em tese, reduzido a necessidade de atendimento presencial. Soa incoerente adotar tal medida quando a própria propaganda do governo defende a desburocratização e o uso intensivo de ferramentas digitais para facilitar a vida do cidadão. A decisão parece mais movida por embates ideológicos do que por planejamento técnico.

Mas como Imbituba funciona e quais os impactos?

Há mais de 20 anos a prefeitura opera com jornada de seis horas diárias. Prefeitos de diferentes matizes ideológicas, progressistas ou liberais, mantiveram esse formato como mecanismo de funcionalidade administrativa. Famílias inteiras se organizaram em torno desse modelo, e muitos servidores possuem vínculos em outros empregos.

Nos corredores da prefeitura comenta-se que haveria a intenção de ampliar o salário proporcionalmente às oito horas. Uma medida assim provocaria um salto considerável na folha de pagamento e dependeria de amplo amparo legal, já que o regime da prefeitura de Imbituba é celetista, não estatutário. Está registrado na carteira de trabalho de boa parte dos mais de 700 servidores atingidos pela mudança a jornada de 30 horas semanais. Fica a impressão de que decisões tomadas no alto escalão carecem de maior reflexão.

Plano Diretor

Existem, certamente, mais de 100 novos empreendimentos aguardando as novas diretrizes do Plano Diretor para serem lançados. O que causa estranheza é o engessamento promovido pelo atual governo, que acabou travando o desenvolvimento da cidade.

A sociedade parece ter relegado a segundo plano o instrumento que dará rumo a Imbituba nos próximos anos. Esse esquecimento trouxe certa comodidade à gestão, que apenas agora se movimenta para realizar a audiência pública final e apresentar a minuta de lei que será encaminhada ao Legislativo. Espera-se que, desta vez, o processo não volte a estagnar.

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