A toninha Francisca, que estava em reabilitação há mais de um ano em Florianópolis, morreu na segunda-feira (5). O acompanhamento era realizado pela R3 Animal, instituição responsável pelo tratamento, que destacou que o animal foi o exemplar da espécie que permaneceu por mais tempo em reabilitação no mundo.
Segundo a entidade, Francisca não apresentava sinais clínicos prévios de doença. Um dia antes da morte, no entanto, demonstrou apatia e perda de apetite. Apesar do suporte intensivo, o quadro evoluiu de forma rápida. Uma necropsia será realizada para esclarecer a causa do óbito.
Resgatada ainda filhote em 3 de janeiro de 2025, na Praia do Moçambique, no Norte da Ilha, Francisca chegou debilitada, com sinais de afogamento, fraqueza e desidratação. Na época, pesava 6,4 quilos e media cerca de 85 centímetros. Ao longo do processo de reabilitação, o animal apresentou evolução significativa, chegando a 18 quilos e 1,18 metro de comprimento.
A toninha estava prestes a iniciar uma nova etapa do tratamento, com a transferência para uma piscina maior. Na sequência, o plano era levá-la para um recinto de aclimatação no mar, onde começaria o processo de readaptação à vida em ambiente natural.
Símbolo da preservação
Francisca se tornou um marco na luta pela preservação das toninhas, espécie considerada extremamente ameaçada de extinção. Esses pequenos cetáceos habitam a costa do Brasil, Argentina e Uruguai, mas são pouco conhecidos por seu comportamento discreto e por viverem próximos ao litoral.
A espécie, cujo nome científico é Pontoporia blainvillei, também é conhecida como franciscana, boto-cachimbo ou golfinho-do-Rio-da-Prata. As fêmeas podem viver até 21 anos, embora a média seja de cerca de 12. A reprodução é lenta: a gestação dura de 10 a 11 meses e resulta em apenas um filhote por vez.
Os filhotes nascem com aproximadamente 70 a 80 centímetros e cerca de 6 quilos, dependendo exclusivamente do leite materno nos primeiros meses. A principal ameaça à sobrevivência da espécie é a captura acidental em redes de pesca.
Comoção
A morte de Francisca gerou comoção nas redes sociais. Seguidores que acompanharam sua trajetória lamentaram a perda e destacaram o esforço da equipe envolvida. Organizações nacionais e internacionais ligadas à conservação marinha também manifestaram solidariedade.
Durante o período de reabilitação, Francisca mobilizou campanhas de apoio e financiamento coletivo, ajudando a ampliar a conscientização sobre a situação crítica das toninhas e a importância da preservação da fauna marinha.









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