Água a 50°C e laudo inicial inconclusivo: os pontos que cercam a morte de PM e empresária em motel de SC

A morte do policial militar Jeferson Luiz Sagaz e da empresária Ana Carolina Silva, ambos de 37 anos, ocorrida em agosto deste ano, gerou comoção e levantou diversas dúvidas em Santa Catarina e no país. O casal foi encontrado sem vida na banheira de um motel em São José, na Grande Florianópolis, no dia 11 de agosto, sem sinais aparentes de violência.

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As investigações se estenderam por quase dois meses, principalmente após o primeiro laudo necroscópico apontar causa da morte inconclusiva. Apenas após exames complementares e análises mais aprofundadas a Polícia Civil chegou a uma conclusão.

Segundo a apuração, Jeferson e Ana Carolina haviam consumido álcool e drogas antes de desmaiarem na banheira do quarto onde estavam hospedados. A arma do policial não foi localizada no local.

O casal estava junto há quase 20 anos e deixou uma filha de 4 anos de idade.

Laudos e investigação

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O primeiro exame, divulgado em 15 de agosto, descreveu as condições dos corpos e confirmou a ausência de traumas mecânicos, além de apontar temperatura elevada dos órgãos internos, o que levantou novas hipóteses para a causa das mortes.

Com a conclusão do inquérito, divulgada no início de outubro, a Polícia Civil afirmou que ambos foram vítimas de intoxicação exógena, provocada por fatores combinados. Entre eles, o uso de substâncias psicoativas e as condições extremas de calor no ambiente.

De acordo com a Polícia Científica, a água da banheira chegou a 50°C, e o aquecedor do quarto estava ligado em temperatura elevada. Esse cenário contribuiu para um quadro de hipertermia, desidratação severa e colapso térmico.

A perita-geral da Polícia Científica, Andressa Boer Fronza, explicou que a morte ocorreu por condições multifatoriais, culminando em falência orgânica. Já o diretor de Medicina Legal, Fernando Oliva da Fonseca, destacou que o álcool e a cocaína podem ter reduzido a percepção do aumento da temperatura corporal, agravando o quadro.

Quem eram Jeferson e Ana Carolina

Ana Carolina Silva era empresária e proprietária de uma esmalteria. Jeferson Luiz Sagaz atuava na Academia de Polícia Militar da Trindade (APMT), em Florianópolis.

Horas antes do desaparecimento, o casal havia passado o dia celebrando o aniversário da filha em um food park. Mais tarde, foram a um bar e foram vistos pela última vez por volta das 23h30 de domingo, 10 de agosto.

Na manhã seguinte, não compareceram para buscar a criança, que estava com a irmã de Jeferson. Diante da ausência, a família iniciou as buscas, que culminaram na descoberta do caso no motel.

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