Projeto Informar para Proteger leva prevenção à violência a escolas e creche de Imbituba

Com uma atuação voluntária, contínua e profundamente comprometida com a proteção da infância e da adolescência, o Projeto Informar para Proteger foi desenvolvido ao longo de 2025 em três escolas estaduais de Imbituba e uma creche municipal, alcançando profissionais da educação, famílias e alunos de todas as séries.

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As ações aconteceram em diferentes momentos do ano: em maio, na Escola Estadual do Mirim; em setembro, na Escola Estadual da Divinéia; em outubro, na Creche Municipal da Guada; e em novembro, na Escola Estadual da Vila Nova. O projeto também realizou atividades complementares em agosto, dentro da campanha Agosto Lilás, novamente na Escola do Mirim.

Capacitação para prevenir e proteger

O principal objetivo do Projeto Informar para Proteger é capacitar profissionais das escolas para atuarem na prevenção e proteção contra violências cometidas contra crianças e adolescentes. Paralelamente, o projeto também atende familiares de alunos, oferecendo informações e orientações sobre educação não violenta, partindo de um dado alarmante: a maioria dos crimes contra crianças e adolescentes ocorre dentro do ambiente familiar.

Durante os encontros, são abordados os tipos de violência mais recorrentes, como:

  • violência física;
  • violência moral;
  • violência psicológica;
  • violência sexual;
  • negligência.

Escuta, informação e acolhimento aos alunos

Na segunda etapa do projeto, são realizadas palestras e rodas de conversa com os alunos, envolvendo todas as faixas etárias. Ao final das atividades, é aplicado um questionário anônimo, que tem revelado uma realidade preocupante: muitos estudantes relatam as violências que sofrem em casa ou em outros contextos.

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Esses relatos têm permitido que as escolas façam os devidos encaminhamentos. Diversos casos já foram comunicados ao Conselho Tutelar, fortalecendo a rede de proteção e garantindo que as denúncias não fiquem silenciadas.

Bullying, racismo, internet e saúde emocional

O projeto tem caráter amplo e integrado. Em todas as palestras, são discutidos temas essenciais para a formação cidadã e emocional das crianças e adolescentes, como:

  • Bullying nas escolas, com explicações sobre a legislação que reconhece o bullying como crime e orientações claras sobre como as vítimas podem buscar ajuda e se proteger;
  • Riscos da internet, incluindo desafios perigosos, abusos sexuais virtuais, aliciamento, raptos e exploração sexual;
  • Impactos do uso excessivo de telas no cérebro em formação;
  • Educação emocional, ensinando estratégias para lidar com raiva, tristeza, ansiedade e outras emoções;
  • Violência racial, abordada especialmente em novembro, no contexto do mês da Consciência Negra.

Além disso, o projeto dialoga com campanhas nacionais importantes, reforçando o Maio Laranja (combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes), o Setembro Amarelo (prevenção ao suicídio) e o Agosto Lilás (combate à violência contra a mulher).

Lei Maio Laranja e articulação política

Preocupada com a necessidade de institucionalizar as ações de prevenção, a idealizadora do projeto procurou o vereador Bruno Pacheco, solicitando apoio para que Imbituba cumprisse efetivamente a Lei Maio Laranja. A iniciativa resultou na elaboração de um projeto de lei, que foi aprovado ainda em 2025.

Com a nova legislação, a expectativa é que, a partir do próximo ano, a campanha Maio Laranja tenha no município a mesma relevância e visibilidade que campanhas como o Setembro Amarelo e o Outubro Rosa, especialmente dentro das escolas.

Saúde mental desde a gestação

O Projeto Informar para Proteger também ampliou seu alcance para a área da saúde. Foram realizadas rodas de conversa com profissionais dos postos de saúde do Mirim e do Campestre, além de encontros com gestantes, abordando a importância da saúde mental materna.

A iniciativa parte de uma constatação delicada, mas necessária: as mães são, infelizmente, as principais autoras de violências físicas e psicológicas, seguidas pelos homens da família — pais, padrastos e avôs — nos casos de violência sexual. Por isso, o projeto defende que a prevenção comece ainda na gestação, com acolhimento, informação e cuidado emocional.

Um trabalho voluntário movido por missão

O Projeto Informar para Proteger foi idealizado, desenvolvido e aplicado de forma totalmente voluntária pela terapeuta responsável e seu marido, sem qualquer financiamento. As ações são realizadas nos intervalos possíveis entre os atendimentos terapêuticos, que garantem a renda familiar.

Apesar das limitações de tempo e recursos, a motivação permanece firme. “É a minha missão de vida”, resume a idealizadora, que já buscou apoio junto às Secretarias Municipais de Educação e Saúde — tanto na gestão anterior quanto na atual — e segue aguardando respostas concretas.

Um sonho coletivo

Se houvesse mais recursos e apoio institucional, o projeto poderia ter alcançado muito mais escolas em 2025. Ainda assim, cada passo tem sido celebrado como uma conquista. O retorno de alunos, profissionais e famílias confirma que informação salva, protege e transforma.

O sonho agora é que todas as crianças e adolescentes de Imbituba saibam identificar o que é violência, conheçam as leis que os protegem e aprendam, desde cedo, como pedir ajuda e se proteger. Enquanto isso, o Projeto Informar para Proteger segue avançando, passo a passo, com coragem, sensibilidade e compromisso com a vida.

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