Imbituba (SC) – O que já era denúncia virou escândalo. Após a reportagem do Jornal Popular Catarinense revelar o abandono de equipamentos da extinta Secretaria de Agricultura, uma enxurrada de novas informações chegou à redação. As imagens e relatos são alarmantes: retroescavadeiras quebradas, sem manutenção, encobertas pelo mato e esquecidas em diferentes pontos do município. O retrato do abandono público agora tem endereço, placa e ferrugem.
Duas retroescavadeiras, que deveriam estar trabalhando em apoio à zona rural, são os símbolos mais gritantes dessa crise. Uma delas apodrece na garagem da prefeitura, em estado deplorável.
Foto: Retroescavadeira permanece parada no pátio da Prefeitura de Imbituba, aguardando conserto há meses.
A outra, no bairro Penha, está jogada às margens da estrada, com o pneu dianteiro furado e parcialmente encoberta pelo mato — prova incontestável de meses de descaso.
Foto: Retroescavadeira permanece parada no bairro penha aguardando conserto há meses.
“Eu tenho 86 anos e nunca passei por uma humilhação dessas”, relatou, em prantos, um produtor rural da Penha que procurou o jornal pedindo para não ser identificado. Com as mãos calejadas, ele revelou que pensa em abandonar de vez a atividade rural por falta de apoio. “Já pedi ajuda, implorei por manutenção das estradas vicinais, por uma máquina que pudesse abrir a vala para escoar a água. Nada. Nos ignoram.”
Nove meses de gestão, nove meses de abandono
A atual gestão do prefeito Michell Nunes, o “Peninha”, e da vice Madalena tem sido marcada por promessas não cumpridas e estruturas desmontadas. A extinção da Secretaria de Agricultura — que já foi referência regional — deixou um vazio que nem as boas intenções conseguem preencher. Hoje, os agricultores enfrentam não apenas o barro, a seca e até mesmo o alagamento indevido por falta da drenagem que deveria ser realizada pelas máquinas, mas também a ausência total do poder público.
Produtores da região norte e do interior afirmam que não há nem planejamento nem ação concreta. Muitos se sentem esquecidos e desmotivados. Para uma cidade com tradição rural e que depende da produção de base agrícola para manter parte da economia viva, esse abandono beira o inadmissível.
Patrimônio público se deteriora a céu aberto
As imagens recebidas pela redação mostram equipamentos de alto custo deixados sem cobertura, sem manutenção e sem previsão de conserto. Técnicos ouvidos pela reportagem afirmam que a recuperação de alguns desses maquinários pode ultrapassar valores elevados — isso, se ainda for possível consertar.
Foto: Retroescavadeira permanece parada no pátio da Prefeitura de Imbituba, aguardando conserto há meses.
“É dinheiro do povo jogado fora. Um maquinário desses custa centenas de milhares de reais e poderia estar ajudando comunidades inteiras. O prejuízo é coletivo”, comentou um servidor que pediu anonimato por temer represálias.
Falta de política pública para o campo gera êxodo silencioso
O abandono da agricultura em Imbituba não é apenas técnico: é humano. Sem incentivos, sem suporte, sem perspectiva, agricultores mais velhos estão desistindo. Jovens não querem seguir no campo. A máquina quebrada na beira da estrada virou símbolo do desânimo de uma geração que vê o passado se desfazer e o futuro ser ignorado.
Enquanto isso, a população assiste, indignada, à lenta instalação do caos. O que era para ser gestão se tornou desgoverno. E a pergunta que ecoa no meio rural é direta e dolorosa: até quando?
O Jornal Popular Catarinense seguirá acompanhando de perto os desdobramentos dessa situação e manterá a população informada sobre os novos rumos dessa história que afeta diretamente o presente e o futuro da agricultura em Imbituba.











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