SEGUNDO TURNO: RENAN AJUDA LULA! É POSSÍVEL?

Por Benedito Dias

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O debate da Globo que não aconteceu valeu mais do que o debate que aconteceria. Lula, experiente, avisou com antecedência: não vou. E estava certo. No limite do crescimento, tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro e com todos os outros candidatos atuando como adversários ideológicos, ele seria o saco de pancadas da noite — um paredão de acusações eleitoreiras e zero propostas. Foi aí que Flávio, bancando o valentão, resolveu desafiar: “Vem debater comigo, Lula!”.

Corajoso, né? Mas ele não contava com uma vírgula da lei — aliás, esse negócio de lei não bate muito com o perfil do clã.

Renan Santos, do Missão, estava fora porque o partido não tem representação mínima no Congresso. Só que o STF entrou no jogo e garantiu Renan no debate. O efeito foi imediato: o valentão amarelou. Flávio se amofinou, fugiu do próprio desafio que criou e pediu à Globo para cancelar tudo. Resultado: Lula saiu soberano, tranquilo, dando entrevista para milhões no Flow no mesmo horário. Renan saiu gigante — o cara que fez o filho do “mito” correr. E os demais candidatos perderam a última vitrine a dois dias da eleição na emissora de maior audiência do país.

E agora? Renan já avisou: não apoio Flávio no segundo turno. E seria burrice apoiá-lo. Aos 42 anos, com mais de dois neurônios e uma capacidade de comunicação formidável, Renan sabe da maldição do clã: quem cola, se sepulta.

Pergunte ao Moro, que jogou 20 anos de magistratura no lixo. Ao Deltan Dallagnol, que sacrificou uma carreira promissora no MP por um mandato cassado. À Zambelli, cassada e foragida na Itália. Ao Braga Netto, que deu um salto ladeira abaixo na carreira: de general a vice-presidente derrotado, e de vice a presidiário isolado. Ao Mandetta, que tentava salvar pessoas da Covid-19 enquanto Bolsonaro receitava cloroquina na porta do Planalto. E aos militantes do 8 de janeiro: de patriotas conservadores a presos condenados por tentativa de golpe.

A lista tem mais andares para o fundo. Gustavo Bebianno, ministro da Casa Civil e o homem número um na eleição de Bolsonaro, foi demitido pelo Twitter, humilhado publicamente e faleceu pouco tempo depois. O ex-ministro da Educação, O ex-ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, que entrou ostentando o peso e o respeito do Mackenzie e saiu algemado pela Polícia Federal. Daniel Silveira, ex-deputado federal que desafiou o STF, terminou com tornozeleira e farda de presidiário. Roberto Jefferson, padrinho do clã, postava fotos armado até os dentes, atirou na Polícia Federal e acabou preso.

O pastor Gilmar Santos, pregador itinerante e homem das multidões, se queimou no fogo estranho no altar do MEC. Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, jornalistas foragidos, vivem sabe-se lá como fazendo lives do exterior. E o filho “Zero Três”, Eduardo Bolsonaro? Esse beira a loucura: passou quatro anos ameaçando fechar o STF, mas, quando viu a sepultura aberta, cascou para a Flórida e abandonou tudo — mandato, cargo público por concurso —, pediu asilo, mas, antes disso, articulou o esquema do Dark Horse para se manter. Até Ciro Nogueira, que nunca perdeu uma eleição no Piauí, hoje vê o chão tremer pela primeira vez por ter colado sua biografia ao bolsonarismo.

Na fila da desmoralização está o pastor Silas Malafaia, que passou de líder evangélico reconhecido a comentarista raivoso de rede social, babando e cuspindo ódio. Lambendo botas, perdeu o equilíbrio ministerial e arrastou com ele a credibilidade da própria Igreja Evangélica, hoje vista com desconfiança pela sociedade — uma situação que lembra a crise da Idade Média e que clama, portanto, por um novo Lutero.

Nesse contexto, por que Renan apoiaria Flávio?

A conta dele é fria: este quarto mandato é o último de Lula. Em 2030 não haverá Lula na urna. Flávio chegará lá esfarelado, sangrando pelas críticas e pelo envolvimento com o caso Vorcaro. O caminho fica livre para o Missão vir muito mais forte e experiente.

Por isso, sendo dono de uma cabeça com bem mais de dois neurônios, Renan deve pedir votos para Lula no segundo turno. Razoável? Sim. Coerente? Talvez. Inteligente? Sem dúvida.

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