Por Benedito Dias
A Igreja espera o arrebatamento. Foi a promessa feita há dois mil anos: Jesus voltaria para buscar os seus, 40 dias depois de vencer a morte. Quem subir, escapa. Quem ficar, encara a truculência do anticristo.
E no calendário terreno, o dia 4 de outubro se aproxima. É o dia D do povo brasileiro. Dia da outorga do poder, portanto, dia da eleição para os Poderes Legislativo e Executivo.
A disputa para a Presidência da República continua polarizada. Já esteve mais tranquila para a esquerda, mas, a poucos dias do pleito, os protagonistas se emparelham e qualquer aposta de vitória de A ou B é arriscada. Os adversários do presidente Lula não são apenas os candidatos da direita. Há obstáculos que vale a pena mencionar. Flávio Bolsonaro configura-se como o mais forte em razão do legado do pai. Para vencê-lo, é preciso vencer também os Estados Unidos, que tentam interferir na eleição. Há, por exemplo, a atuação de André Mendonça, que, segundo denúncias, faz vistas grossas a mensagens que incriminam figuras do bolsonarismo, candidatos e até ministros da Suprema Corte ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, encontradas no celular de Vorcaro.
Também, segundo a Abin, há tentativas de interferência americana por meio de pressões econômicas, diplomáticas e de segurança, tais como a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, a classificação de facções criminosas — PCC e CV — como organizações narcoterroristas e os encontros de lideranças da oposição com autoridades e aliados em Washington, entre outras.
Lula terá de vencer também a seita bolsonarista, que desde 2017 vem escravizando a mente política de eleitores tidos como conservadores. Outro obstáculo é a religiosidade instrumentalizada de parte dos evangélicos que, apesar do esforço doutrinário do segmento em manter seus fiéis orientados quanto à verdade, passaram a acreditar em absurdos como fechamento de igrejas, perseguição religiosa e outras narrativas ilógicas.
São muitos os obstáculos, mas o maior deles é vencer os mercadores da fé. Eles têm tempo, têm público, gozam da confiança dos fiéis e, todos os dias, no templo ou nas redes sociais, satanizam o presidente, a esquerda e qualquer cidadão que pense diferente do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Nesse púlpito invertido, o comportamento errado do ser humano não é mais o que contradiz a Bíblia, mas o que contraria a cartilha do mito.
Se Flávio, o Zero Um, for eleito presidente da República, não será surpresa ver o Brasil entregue a Trump, o negro discriminado, a mulher relegada à figura de segundo plano, os nordestinos reduzidos a sub-raça, o Bolsa Família excluído do orçamento, a volta da fila do osso, o fim do ProUni, do Fies e do Pé-de-Meia.
Flávio Bolsonaro é tesoura. E ele já avisou. Ninguém poderá dizer que foi traído ou enganado. A tesoura de Flávio é amolada para o pobre e cega para o rico.
O perigo está às portas! Qualquer outro candidato da direita seria menos arriscado que Flávio. Mas há um ditado que diz que o pior cego é aquele que não quer ver. Verdade absoluta.
Quem é Flávio Bolsonaro? Tem história? Não. Tem currículo? Não. O que fez como deputado estadual pelo povo? Há oito anos no Senado Federal, qual foi sua bandeira? O que fez por seu Estado? Qual projeto de lei de sua autoria trouxe benefício real à nação? Flávio será truculento como o pai? Será antipovo, antinegro, antimulher, anti-imprensa? Será um estadista ou vai se estruturar para, desta vez, não errar o golpe?
Não sei quem tem a resposta para essas perguntas, mas sei quem pode evitar que elas sejam respondidas tarde demais: o povo consciente.
O Anticristo será inevitável. Manifestar-se-á imediatamente após a saída da Igreja da Terra. Já Flávio é evitável. Ele não se manifestará caso a honestidade intelectual do povo brasileiro se manifeste primeiro.








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