IMBITUBA NA ALESC, UMA MATEMÁTICA POSSÍVEL?
A eleição para deputado estadual não é simplesmente uma disputa para saber quais são os 40 candidatos mais votados de Santa Catarina. O sistema é proporcional e leva em consideração a votação de cada partido ou federação, a votação individual dos candidatos e a distribuição das vagas pelo quociente partidário e pelas chamadas sobras.
É justamente por isso que, antes de analisar qualquer candidatura, é preciso compreender a matemática eleitoral.
O quociente eleitoral (QE) é obtido dividindo-se o total de votos válidos para deputado estadual em Santa Catarina pelo número de cadeiras disponíveis na ALESC. São 40 vagas. Em 2022, por exemplo, compareceram mais de 4,47 milhões de eleitores na eleição estadual catarinense, e o Estado segue elegendo 40 deputados estaduais. Por isso, tomando os números históricos como referência, é razoável trabalhar com um quociente eleitoral na casa dos 100 mil votos, embora o número definitivo de 2026 somente seja conhecido depois da apuração.
Nesse sistema, não basta olhar apenas para a votação de um candidato. É necessário observar também quantos votos o seu partido obtém.
Para a campanha de Rosenvaldo Júnior, um dos cenários considerados é o de o PDT catarinense construir uma votação superior a 150 mil votos no conjunto de seus candidatos e votos de legenda. Esse número, contudo, é uma projeção política e somente poderá ser confirmado nas urnas.
COMO FUNCIONA ESSA MATEMÁTICA?
Pelas regras eleitorais de 2026, existem diferentes caminhos para a ocupação das cadeiras.
O primeiro passa pelo quociente partidário. O número inicial de cadeiras de cada partido é calculado dividindo sua votação total pelo quociente eleitoral. Dentro do partido, as vagas são ocupadas conforme a ordem de votação dos candidatos, desde que o candidato eleito nessa etapa tenha alcançado pelo menos 10% do quociente eleitoral. Se o QE ficar próximo de 100 mil votos, essa cláusula individual estará, aproximadamente, na faixa dos 10 mil votos.
Depois vêm as sobras eleitorais, calculadas pelo sistema de maiores médias. Na primeira etapa dessa distribuição, concorrem os partidos ou federações que alcançarem pelo menos 80% do quociente eleitoral e que possuam candidato com pelo menos 20% do QE. Para cada cadeira, calcula-se a média dividindo a votação do partido pelo número de cadeiras já conquistadas mais um. A vaga fica com a legenda que apresentar a maior média entre aquelas habilitadas.
Finalmente existem as cadeiras que ainda permanecerem sem preenchimento, popularmente conhecidas como “sobras das sobras”. Para as eleições de 2026, a regulamentação do TSE determina que, nessa etapa, participem todos os partidos e federações que disputaram a eleição, pelo critério das maiores médias, independentemente das exigências anteriores de 80% do QE para a legenda e 20% para o candidato.
É nesse conjunto de possibilidades que deve ser analisada a candidatura de Rosenvaldo Júnior.
O PESO DE IMBITUBA
Dentro do cenário projetado pela campanha, Imbituba ocupa posição central.
A tese é simples: quanto maior for a votação obtida por Rosenvaldo em sua cidade de origem, menor será a quantidade de votos que precisará buscar nos demais municípios para alcançar uma votação competitiva dentro da chapa do PDT.
A campanha trabalha, portanto, com uma referência superior a 10 mil votos em Imbituba. Esse patamar não garante eleição, porque o resultado depende também da votação total do PDT, da posição do candidato dentro da chapa e das médias alcançadas pelos demais partidos, mas representaria uma base local significativa.
A partir daí entrariam os demais colégios eleitorais nos quais a candidatura afirma possuir apoios. Segundo a própria organização da campanha, atualmente existem bases distribuídas por todas as regiões de Santa Catarina, alcançando mais de uma centena de municípios.
Assim, a conta pretendida não dependeria exclusivamente de Imbituba. O município funcionaria como o principal ponto de sustentação de uma votação que precisaria ser complementada pelo restante do Estado.
A OUTRA VARIÁVEL: AMUREL
Existe ainda outro elemento relevante nessa matemática: a votação regional.
A AMUREL reúne um expressivo contingente eleitoral no Sul catarinense. Dentro de uma eleição proporcional, a concentração regional dos votos pode influenciar significativamente o desempenho individual dos candidatos que possuem bases nesses municípios.
Nesse contexto, Rosenvaldo Júnior disputa como candidato com origem política em Imbituba, município que possui eleitorado na casa dos 40 mil eleitores. Os dados oficiais e atualizados do eleitorado municipal podem ser consultados diretamente nas estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral.
A hipótese trabalhada pela campanha é que uma votação expressiva em Imbituba, somada aos votos conquistados nos demais municípios da AMUREL e às bases existentes em outras regiões catarinenses, possa colocá-lo em posição competitiva dentro da votação do PDT.
Mas há uma diferença fundamental entre possibilidade matemática e resultado garantido.
O sistema proporcional permite diferentes combinações. A eleição dependerá simultaneamente da votação de Rosenvaldo, da votação dos demais candidatos do PDT, do total alcançado pela legenda e das médias obtidas pelos outros partidos na disputa pelas sobras.
Portanto, a matemática demonstra que existem caminhos possíveis. Saber qual deles efetivamente ocorrerá dependerá dos votos depositados nas urnas e da distribuição desses votos entre todas as legendas e candidatos de Santa Catarina.




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