CAIADO PARECE TER JOGADO A TOALHA

Por Benedito Dias

Eu já tinha dito isso, e Marconi Perillo confirmou: Ronaldo Caiado, em dois mandatos, fez a metade de um hospital e nenhum presídio.

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Sua voz é impostora. Seu timbre na garganta rouca do Lula seria um grito de fazer o Brasil tremer; seus cabelos brancos bem penteados na cabeça do Zema, talvez, não o deixariam dizer que quer o Brasil fora do BRICS – banco dos maiores parceiros comerciais do país; sua cabeça no pescoço de Flávio Bolsonaro não o deixaria falar que rede de esgoto é eficaz para a redução do aquecimento global e, talvez, não o deixaria ligar para o Vorcaro pedindo dinheiro para o Dark Horse.

Mas Caiado é o mesmo de 1989, que entrou na minha cidade, na região Norte do Brasil, montado num cavalo branco, acompanhado de ruralistas, na disputa para presidente da República, em que Lula também era candidato. A cerca de 15 dias das eleições, Caiado nunca foi ao Norte do país. Aliás, não sei se depois de 1989 ele voltou lá, mas garanto que, por lá, ainda tem gente que vota no governador da segurança pública.

Caiado tem seu povo. Na campanha de 1989, como já disse, desfilou na minha cidade entre os ricos da então UDR — representante da elite ruralista brasileira. Hoje ele cruza o espaço aéreo Goiás/São Paulo de jatinho, claro, e pousa na Faria Lima para falar de dinheiro para quem não precisa.

Caiado luta para não perder para o Zema o quinto lugar na corrida ao Palácio do Planalto. Atrás do garoto Renan Santos – o “menino político” que surgiu nessa campanha falando mais que o homem da cobra –, o ex-governador Ronaldo Caiado, candidato a presidente, está quase jogando a toalha: seu discurso de segurança pública não convence porque, durante seus dois mandatos, ele não fez, em Goiás, um presídio sequer. Suas propostas de saúde pública não convencem porque, em dois mandatos, ele mal conseguiu fazer a metade do Hospital do Câncer Cora Coralina.

Goiás é rota de tráfico e, segundo as redes sociais, o maior centro de refino de cocaína. Dizem – eu não posso afirmar – que em Goiás tem escola de pilotos para o tráfico. Verdade? Não sei! A polícia prendeu há poucos dias em Goiás um piloto que cooptava pilotos para o tráfico entre a Bolívia e o Brasil.

Comparando Caiado com alguns governadores do Brasil no mesmo período, vi o quanto ele fez menos do que deveria e o quanto os outros fizeram mais que ele com muito menos recursos. Helder Barbalho, ex-governador do Pará e candidato ao Senado Federal, em dois mandatos fez 48 hospitais. O Hospital da Mulher, no centro de Belém, é gigante, bem feito, equipado com tudo que a mulher precisa em matéria de assistência, inclusive com Delegacia da Mulher. Tem ainda, entre outras realizações, as Usinas da Paz, complexos multifuncionais de cidadania, inclusão social e prevenção à violência construídos pelo Governo do Estado do Pará em diversos municípios para atender às populações mais vulneráveis.” É um projeto impressionante. Não vou listar tudo porque não cabe no espaço desta coluna, mas o cara, com menos dinheiro, faz mais que o Caiado, em um Estado com muito mais problemas sociais.

Hoje, talvez, a maior preocupação do Caiado não seja mais a campanha para presidente da República. Essa já está registrada nos seus anais como a maior furada da sua vida pública, mas sim a campanha de sua esposa Gracinha para o Senado Federal.

Corre, Caiado, para salvar Gracinha, porque a campanha para presidente já está perdida. Perder para presidente não será tão vergonhoso. Todo mundo sabe que quem tem voto para enfrentar o Lula é Bolsonaro e não você. Gracinha não pode perder. Se perder, vão perguntar: “cadê o Caiado?”.

Os candidatos da direita que disputam com o Flávio a vaga do segundo turno repudiam o envolvimento do candidato com o Vorcaro – dono do maior escândalo financeiro no Brasil –, porém, apesar disso, todos eles já estão, provavelmente, rascunhando apoio ao Flávio, caso seja ele o adversário do Lula na segunda fase da eleição.

Caiado, por sua vez, com certeza, pela mensagem que tenta passar para o Brasil de que “em Goiás bandido não se cria”, já deve estar com a pasta da Segurança Pública debaixo do braço.

Caiado não cresce porque não consegue convencer os bolsonaristas de que é melhor que Flávio. Aliás, ninguém consegue convencer o fiel de que a sua estátua é de barro. Kassab só lançou Caiado para protagonizar a campanha do PSD e crescer a bancada de deputados federais e senadores no Congresso Nacional, mas seu olho já está bem arregalado para o Lula no segundo turno.

Depois dessa, o ex-governador de Goiás vai cuidar dos seus nelores, porque o governo de Goiás não terá seu sobrenome pelos próximos 12 anos.

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