Terceirizados do Hospital de Jaguaruna protestam contra salários e benefícios atrasados

Atrasos no pagamento de salários, benefícios e encargos trabalhistas levaram funcionários terceirizados do Hospital de Caridade de Jaguaruna (HCJ) a protestar em frente à unidade nesta segunda-feira (14). Os trabalhadores, que atuam principalmente nos setores de higienização e atendimento, levaram cartazes e cobraram uma solução para as pendências.

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O grupo é contratado pela RDS Prestação de Serviços, empresa de Palhoça responsável pelos serviços terceirizados do hospital. Segundo os funcionários, os problemas se estendem há cerca de seis meses e não se limitam aos salários.

Entre os relatos estão até três parcelas de vale-alimentação em atraso, ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e falta de pagamento de verbas rescisórias para trabalhadores que deixaram a empresa.

A situação tem provocado insegurança entre os profissionais, que afirmam não receber uma previsão concreta para a quitação dos valores. Eliana Chavier dos Santos, que participou da organização da manifestação, afirmou que a equipe aguarda uma solução.

“Nós estamos com o salário atrasado. Temos três vales-alimentação atrasados, o FGTS não está sendo depositado e as pessoas que estão sendo mandadas embora não estão recebendo”, relatou.

Outro trabalhador, Cristiano da Silva Lima, disse que os funcionários receberam a informação de que a terceirizada teria arcado com pagamentos utilizando recursos próprios durante determinado período, diante de supostos atrasos nos repasses feitos pelo Instituto Ideas, responsável pela administração do hospital.

Novas vagas geram questionamentos

A divulgação de oportunidades de trabalho para os setores de higienização e portaria também foi questionada pelos manifestantes. Para os funcionários, a abertura de novas vagas enquanto existem pendências com quem já presta serviço na unidade aumenta a insatisfação.

“Apesar dos salários atrasados, ainda estão publicando vagas para higienização e portaria. Não estão pagando o pessoal que já está aqui”, afirmou Iracema Tatiane Fernandes das Neves.

Os trabalhadores também reclamam da dificuldade para obter informações sobre quando os pagamentos serão normalizados. Thiago Gomes Bueno relatou que procurou responsáveis pelo caso, mas afirma não ter recebido uma data para a regularização.

“Se dissessem que vão pagar no dia 20, pelo menos teríamos uma posição para passar às pessoas para quem devemos. Mas dizem que não há previsão”, disse.

Segundo Thiago, a situação também chegou a afetar a rotina dos serviços de limpeza. A direção do HCJ ainda precisa informar oficialmente se houve impacto no funcionamento da unidade ou no atendimento aos pacientes.

O caso ocorre em meio a outras cobranças relacionadas à situação financeira do hospital. Na última quinta-feira (10), representantes do Instituto Ideas participaram de uma reunião na Câmara de Vereadores de Jaguaruna e se comprometeram a apresentar, em até 30 dias, um cronograma para enfrentar os problemas apontados na unidade.

Durante o encontro, o instituto reconheceu dificuldades financeiras e apresentou um plano de reestruturação. Dados divulgados na reunião apontaram que, entre fevereiro de 2025 e junho de 2026, o HCJ teve aproximadamente R$ 16 milhões em receitas e mais de R$ 21 milhões em despesas, resultando em uma diferença próxima de R$ 5 milhões.

A Prefeitura de Jaguaruna também notificou extrajudicialmente o Instituto Ideas para solicitar esclarecimentos sobre a prestação dos serviços.

Uma nova reunião está prevista para 14 de outubro, na Câmara de Vereadores. A expectativa é que sejam apresentados o cronograma e as medidas adotadas para regularizar a situação.

As dificuldades relacionadas aos pagamentos não são recentes. Em outros momentos, profissionais da enfermagem e médicos que trabalham no hospital também fizeram cobranças públicas por salários em atraso e chegaram a sinalizar a possibilidade de paralisação.

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