EXCLUSIVO: investigação da Operação Mensageiro complica grande empresário de Imbituba

Documentos aos quais O Popular Catarinense teve acesso apontam para uma movimentação de R$ 400 mil que, segundo a investigação, teria sido realizada por meio da simulação da compra de um apartamento. Caso integra os desdobramentos da maior operação de combate à corrupção já realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina.

A Redação do Jornal O Popular Catarinense teve acesso, com exclusividade, a informações constantes de investigação relacionada à Operação Mensageiro que trazem novos elementos envolvendo Imbituba e um conhecido empresário da cidade, também com atuação na política local.

Entre os elementos que constam na investigação está uma movimentação no valor de R$ 400 mil, que, conforme apontado pelos investigadores, teria sido operacionalizada por meio da simulação da compra de um apartamento.

A informação ganha ainda mais relevância pelo perfil do empresário citado nos autos: trata-se de figura conhecida no meio empresarial e político de Imbituba e que, conforme os documentos analisados pela reportagem, já responde como réu em ação penal decorrente dos desdobramentos da Operação Mensageiro.

Importante destacar que ser investigado ou réu em uma ação penal não significa condenação. A responsabilidade criminal somente pode ser estabelecida definitivamente após o devido processo legal, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

A maior operação anticorrupção da história do MPSC

A Operação Mensageiro começou a ser investigada em 2021 e teve sua primeira fase deflagrada em 6 de dezembro de 2022, sob coordenação do Ministério Público de Santa Catarina, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC).

O núcleo original da investigação apurou a existência de um suposto esquema envolvendo empresários e agentes públicos em contratos municipais de coleta e destinação de resíduos sólidos.

Segundo o Ministério Público, pagamentos de vantagens indevidas teriam sido utilizados para garantir ou favorecer contratos públicos em diferentes municípios catarinenses.

A dimensão do caso não tem precedentes recentes no Estado. Somente nas cinco primeiras fases, segundo balanço divulgado pelo próprio Ministério Público, 42 pessoas foram presas e 280 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Prefeitos, ex-prefeitos, servidores públicos e empresários passaram pelo radar da investigação.

Posteriormente, a operação avançou para uma sexta fase, deflagrada em agosto de 2025, quando foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão.

Imbituba esteve entre os municípios onde foram cumpridas determinações judiciais.

A sexta fase aprofundou investigações envolvendo, entre outros delitos em apuração, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, organização criminosa e lavagem de capitais.

Imbituba aparece desde o início

Imbituba não é uma novidade dentro da Operação Mensageiro.

Já na primeira fase, em dezembro de 2022, contratos relacionados ao Município apareceram entre os objetos de apuração e houve cumprimento de medidas judiciais na cidade.

Com o avanço das investigações, colaborações premiadas, análise de celulares, documentos, movimentações financeiras e outras medidas judiciais deram origem a diferentes ações penais e novos procedimentos investigativos.

É justamente dentro desse vasto conjunto de informações que surge o episódio agora analisado pelo O Popular Catarinense.

R$ 400 mil e a suposta compra do apartamento

De acordo com os elementos da investigação aos quais a reportagem teve acesso, R$ 400 mil teriam sido repassados por um empresário por meio de uma operação apresentada formalmente como compra de um apartamento no município de Palhoça.

Para os investigadores, entretanto, a transação teria sido simulada, hipótese que passa a integrar a apuração sobre a verdadeira origem, finalidade e destinatário dos recursos.

Esse é um dos pontos que pode ganhar especial importância no aprofundamento das investigações, principalmente pela necessidade de confrontar contratos, registros imobiliários, movimentações bancárias e demais documentos relacionados à operação.

O Popular Catarinense ressalta que a descrição acima corresponde à tese constante da investigação e não representa conclusão definitiva de culpa.

Empresário também tem trajetória política

Outro elemento que amplia a repercussão local do caso é que o empresário mencionado na investigação não possui atuação restrita ao setor privado.

Ele também construiu trajetória no cenário político de Imbituba.

Conforme documentação analisada pela reportagem, o empresário já figura como réu em processo decorrente da Operação Mensageiro, circunstância que torna os novos elementos particularmente relevantes para o acompanhamento do caso.

Operação ainda produz desdobramentos

Passados quase quatro anos do início das investigações, a Mensageiro continua produzindo consequências políticas e judiciais em Santa Catarina.

O que começou como uma investigação sobre contratos de resíduos sólidos revelou, segundo o Ministério Público, uma estrutura envolvendo agentes públicos e privados em diferentes municípios e resultou em dezenas de ações penais, prisões e condenações.

No caso específico de Imbituba, os documentos obtidos pelo O Popular Catarinense indicam que ainda existem capítulos relevantes a serem esclarecidos.

A reportagem seguirá analisando os documentos e acompanhando o andamento dos procedimentos judiciais relacionados ao município.

O Popular Catarinense continuará acompanhando os desdobramentos da Operação Mensageiro e trará novas informações à medida que documentos e decisões judiciais puderem ser divulgados.

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