Em Vila Nova Alvorada, loja colaborativa reúne 14 artesãos e transforma criatividade, identidade cultural e trabalho manual em uma experiência que vai muito além da compra
Há lugares onde a gente entra para comprar alguma coisa e sai levando muito mais do que imaginava.
Em Vila Nova Alvorada, em Imbituba, a Alma da Zimba é um desses lugares.
Localizada na Avenida 13 de Setembro, nº 1060, a loja colaborativa reúne atualmente o trabalho de 14 artesãos, cada um com sua própria trajetória, sua maneira de criar e uma história para contar por meio das mãos.
Ali, o artesanato não aparece apenas como produto. Ele aparece como trabalho, identidade, memória, criatividade e possibilidade de geração de renda.
A loja nasceu da iniciativa de Sorea, artesã e idealizadora da Alma da Zimba, a partir de uma proposta que ganha cada vez mais importância: criar espaços onde pequenos produtores possam apresentar seu trabalho, alcançar novos públicos e fazer a criatividade também movimentar a economia.
É a chamada economia criativa, que reconhece o valor econômico da cultura, da criatividade e do conhecimento. E é também um exemplo de economia solidária, quando pessoas encontram formas de cooperação, compartilhamento e fortalecimento coletivo para produzir, divulgar e comercializar seus trabalhos.
Na prática, isso significa que uma peça exposta na Alma da Zimba carrega consigo muito mais do que matéria-prima.
Carrega horas de dedicação.
Carrega aprendizado.
Carrega escolhas, erros, descobertas e recomeços.
Carrega mãos que criaram.
E carrega, muitas vezes, uma parte da própria história de quem produz.
Uma loja, muitas histórias
Em uma loja colaborativa, cada artesão mantém a identidade do seu trabalho, mas encontra no coletivo uma possibilidade de chegar mais longe.
São diferentes técnicas, estilos, materiais e sensibilidades compartilhando o mesmo espaço.
Essa diversidade é justamente uma das riquezas da proposta.
Quem visita a Alma da Zimba pode encontrar algo bonito para levar para casa, mas também pode conhecer quem está por trás daquela criação. E essa aproximação muda a relação entre quem produz e quem compra.
Porque quando conhecemos a história, a peça deixa de ser apenas uma mercadoria.
Ela passa a ter significado.
Por isso, talvez a melhor maneira de explicar a experiência seja exatamente aquela que inspira a própria Alma da Zimba:
quem leva uma peça não leva apenas um objeto. Leva história, leva afeto, leva dedicação e leva amor.
Quando comprar também é fortalecer
Valorizar o artesanato local é, também, olhar para a economia de uma comunidade.
Cada compra realizada diretamente de um artesão ajuda a manter uma cadeia produtiva que começa na criação e passa pela produção, pela comercialização e pela circulação de renda.
É dinheiro que encontra caminhos dentro da própria comunidade.
É talento que pode permanecer na cidade.
É conhecimento que continua sendo compartilhado.
E é uma forma de reconhecer que trabalho criativo também é trabalho.
Em tempos em que tantos produtos chegam prontos, padronizados e produzidos em grande escala, escolher uma peça artesanal é também fazer uma escolha por aquilo que é único.
Nenhuma mão produz exatamente da mesma maneira.
Nenhuma história é igual à outra.
A identidade de uma cidade também mora nas mãos de quem cria
Imbituba tem uma identidade cultural marcada pelo mar, pelas tradições, pelas comunidades, pela criatividade e pelas muitas pessoas que transformam seus saberes em arte e trabalho.
Espaços como a Alma da Zimba ajudam essa identidade a permanecer viva e visível.
Porque cultura não existe somente nos grandes eventos.
Ela também está na pequena peça feita cuidadosamente em uma mesa de trabalho.
No detalhe escolhido por um artesão.
Na técnica aprendida com alguém da família.
Na criação que nasce de uma lembrança.
Na pessoa que decide transformar aquilo que sabe fazer em uma possibilidade de sustento.
E quando essas histórias encontram um espaço coletivo para chegar ao público, a criatividade deixa de ficar escondida dentro de uma oficina ou de uma casa.
Ela ganha rua.
Ganha vitrine.
Ganha reconhecimento.
E pode ganhar novos caminhos.
Alma que se multiplica
Talvez seja justamente essa a força de uma iniciativa como a Alma da Zimba: ninguém precisa deixar de ser quem é para fazer parte do coletivo.
São 14 artesãos, 14 universos criativos, 14 histórias que se encontram em um mesmo endereço.
E, por trás de cada criação, existe alguém que dedicou tempo, talento e energia para transformar uma ideia em algo que pode chegar às mãos de outra pessoa.
É por isso que uma loja assim merece ser vista para além da lógica da compra e da venda.
Ela é também encontro.
É oportunidade.
É circulação de renda.
É valorização do fazer manual.
É economia criativa.
É cooperação.
É cultura.
E, acima de tudo, é gente colocando amor no que faz.
Na Alma da Zimba, cada peça pode até sair pela porta da loja nas mãos de um novo dono.
Mas a história de quem a criou segue junto.
E talvez seja exatamente isso que torne o artesanato tão especial:
quando compramos algo feito à mão, não estamos apenas levando uma peça. Estamos levando um pedaço da história de alguém.
📍 Alma da Zimba
Avenida 13 de Setembro, nº 1060 — Vila Nova Alvorada, Imbituba/SC.
Idealização: Sorea, artesã e criadora da loja colaborativa.
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Autoria original: Gladis Helena Santiago
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