Manifestação realizada no sábado, 8 de agosto, levou mulheres ao centro da cidade em memória de Viviany e em apoio à família
Imbituba viveu, nos últimos dias, uma dor que não cabe apenas dentro de uma família.
No dia 3 de agosto, uma mulher identificada como Viviany foi morta em Imbituba, segundo informações repassadas à reportagem, após ser atacada com golpes de faca pelo próprio companheiro. O crime teria acontecido na região central da cidade e, ainda segundo os relatos recebidos, foi presenciado pelo filho do casal, de 11 anos.
Uma vida foi interrompida. Uma família foi atingida. E uma criança passou a carregar uma lembrança que jamais deveria fazer parte da infância.
Cinco dias depois, no sábado, 8 de agosto, a dor ganhou as ruas.
Mulheres ocuparam o centro de Imbituba
O movimento Unidas pela Dança realizou uma manifestação contra o feminicídio e em apoio aos familiares de Viviany. Mulheres se reuniram no Calçadão de Imbituba e percorreram a região central levando cartazes, vestindo lilás e fazendo da presença uma forma de dizer que a violência contra as mulheres não pode ser tratada como algo comum.
O ato foi anunciado com uma mensagem direta: “Por ela. Por todas. Por nós.”
Não era apenas uma manifestação.
Era um pedido de justiça.
Era solidariedade a uma família.
Era uma forma de lembrar que, por trás de cada número relacionado à violência contra a mulher, existe um nome, uma história, uma família e pessoas que continuarão convivendo com a ausência.
O movimento Unidas pela Dança já desenvolve em Imbituba atividades voltadas ao acolhimento, à saúde e ao fortalecimento das mulheres. Ao longo de 2026, o grupo vem realizando encontros gratuitos e ações comunitárias que aproximam mulheres por meio da dança e da convivência.
Desta vez, porém, a dança deu lugar ao silêncio, aos cartazes, aos abraços e aos gritos por justiça.
Uma criança também foi atingida
Entre todos os aspectos dessa história, existe um que exige ainda mais cuidado: a presença de uma criança no contexto do crime.
Não há como medir, em uma notícia, o tamanho da marca deixada sobre um menino que, aos 11 anos, teria presenciado a morte da própria mãe.
Por isso, falar sobre feminicídio também é falar sobre os filhos que ficam. Sobre famílias que precisam reconstruir suas vidas depois de uma perda brutal. Sobre crianças que precisam de proteção, acolhimento e acompanhamento para atravessar aquilo que jamais deveriam ter vivido.
A violência não termina quando a agressão termina.
Ela deixa marcas.
Não podemos naturalizar
A morte de uma mulher pelas mãos de alguém com quem ela mantinha uma relação não pode ser reduzida a uma discussão de casal, a uma tragédia doméstica ou a mais uma ocorrência policial.
Quando uma mulher é assassinada no contexto da violência de gênero, estamos diante de uma violência que precisa ser enfrentada pela sociedade.
E é justamente por isso que manifestações como a realizada em Imbituba têm importância.
Elas ocupam o espaço público e rompem o silêncio.
O lilás usado pelas participantes no sábado não era apenas uma cor. Era um símbolo de memória, solidariedade e resistência.
Os cartazes carregavam nomes e mensagens.
As vozes carregavam uma pergunta que precisa continuar sendo feita:
Quantas mulheres ainda precisam morrer para que a violência seja reconhecida antes que seja tarde demais?
Viviany não pode ser lembrada apenas pela forma como morreu.
Ela precisa ser lembrada como uma mulher que teve uma história, uma família, vínculos e uma vida que deveria ter continuado.
E a manifestação realizada em Imbituba deixa uma mensagem que vai além daquele sábado:
nenhuma mulher deveria precisar morrer para que sua história seja ouvida.
Por Viviany.
Por todas.
Por nós.








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