Pai, como está a sua saúde mental?

Dia dos pais chegando e nada mais justo do que falar sobre estes homens que são tão importantes na nossa vida. Pensamos em como homenageá-los, com almoço, presentes ou alguma forma de carinho que demonstre o quanto eles são especiais na nossa vida.

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Mas hoje eu trago uma reflexão. Você sabe como o seu pai está de verdade? Não estou perguntando se está tudo bem no trabalho, se as contas estão em dia ou se conseguiu resolver os problemas de casa. Estou perguntando como ele está por dentro. Como anda o seu sono, o seu cansaço, a sua cabeça, a sua vontade de viver, de conversar e de estar perto das pessoas.

No consultório, uma coisa que percebo é que muitos homens têm dificuldade até de dar nome ao que sentem. Eles dizem que estão cansados, estressados ou sem paciência, mas, quando a gente começa a conversar, aparecem o medo, a ansiedade, a culpa, a sensação de fracasso e a preocupação de não estar sendo um bom pai. Porque ser pai também dá medo.

Medo de não conseguir dar conta. De faltar dinheiro. De decepcionar os filhos. De não estar presente o suficiente. De repetir os erros do próprio pai. De não saber demonstrar carinho. De perder o emprego. De adoecer. De falhar com quem depende dele. Só que quase ninguém pergunta sobre esses medos.

Quando um pai esconde todas as emoções e tenta resolver tudo sozinho, os filhos podem crescer acreditando que também precisam fazer o mesmo. Mas quando ele consegue dizer que não está bem, que está preocupado ou que precisa conversar, ele ensina uma coisa muito importante, que os sentimentos não precisam ser escondidos.

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Os filhos não precisam de um pai perfeito. Precisam de um pai possível. Presente. Humano. Um pai que erra, conversa, pede desculpas, demonstra carinho e reconhece os próprios limites. Às vezes, a gente acha que ser um bom pai é dar tudo aos filhos. Mas presença não se compra. Escuta não se substitui. Afeto não precisa de grandes discursos. Muitas vezes, um filho só quer sentir que aquele pai está realmente ali. E talvez um dos melhores presentes que a gente possa oferecer seja justamente o de mostrar a ele que não precisa ser forte o tempo todo para continuar sendo respeitado, admirado e amado. Pai é pai.

Desejo um feliz dia dos pais a todos os leitores do Jornal Popular Catarinense.

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