Não gosto do meu chefe, e agora?

   Nem sempre o que nos cansa no trabalho é o excesso de tarefas. Às vezes, o que pesa mesmo é a convivência diária. Poucas coisas desgastam tanto a saúde emocional quanto acordar todos os dias sabendo que você precisará lidar com alguém que gera tensão, desconforto ou até sofrimento. E uma das frases que mais escuto quando o assunto é ambiente de trabalho é: “Eu não gosto do meu chefe.”

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   Mas o que fazer quando isso acontece?

   Primeiro, vale uma reflexão importante: não gostar de um chefe não significa automaticamente que existe um problema grave. Nem sempre vamos admirar, concordar ou ter afinidade com quem lidera uma equipe. Pessoas têm personalidades diferentes, formas diferentes de se comunicar e estilos distintos de gestão. O problema começa quando a convivência passa a gerar sofrimento constante. Quando existe humilhação. Falta de respeito. Assédio. Comunicação agressiva. Cobranças excessivas. Falta de clareza. Exposição desnecessária. Pressão contínua. Insegurança. Medo. Ambientes assim não desgastam apenas o profissional. Desgastam a pessoa.

   A liderança tem um impacto profundo sobre a saúde mental no trabalho. Um líder despreparado pode gerar ansiedade, desmotivação, queda de produtividade, adoecimento emocional e até contribuir para quadros de esgotamento profissional. Existe uma frase muito conhecida no mundo corporativo que diz: “As pessoas não pedem demissão das empresas. Elas pedem demissão dos líderes.” E existe muita verdade nisso.

   Nem todo conflito é culpa do outro. E olhar para isso também exige maturidade emocional. Ao mesmo tempo, ninguém deve normalizar ambientes adoecidos. Trabalhar sob medo constante não é normal. Sentir ansiedade extrema antes de começar o expediente não é normal. Chorar frequentemente por questões relacionadas ao trabalho não deve ser tratado como algo comum. Empresas saudáveis constroem lideranças saudáveis.

Liderar não é apenas cobrar resultado. É desenvolver pessoas. É comunicar com clareza. É criar segurança psicológica. É reconhecer esforços. É corrigir sem humilhar. É entender que produtividade sustentável nasce de relações saudáveis. Se o seu chefe faz você crescer, aprender e evoluir, existe liderança. Se faz você adoecer, existe um alerta. E talvez a pergunta não seja apenas: “Não gosto do meu chefe, e agora?” Talvez a pergunta mais importante seja: o ambiente em que você trabalha está fortalecendo sua saúde mental ou consumindo ela aos poucos?

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Cláudia Russo – CEO da Burnout Empresarial, Ergonomista, Escritora, Palestrante, Implementadora da nova NR1, Especialista em saúde mental corporativa e no combate ao burnout.

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