Erro na liberação de corpos em Florianópolis expõe falhas graves e levanta debate sobre responsabilidade institucional

Um caso extremamente delicado e doloroso ocorrido em Florianópolis voltou a provocar indignação e questionamentos sobre os protocolos adotados pelos órgãos públicos responsáveis pela liberação de corpos em Santa Catarina.

Famílias que já enfrentavam o sofrimento da perda descobriram, após os sepultamentos, que haviam velado e enterrado pessoas diferentes de seus familiares. O episódio, confirmado pela própria Polícia Científica de Santa Catarina, ocorreu após uma falha operacional na liberação de corpos no Instituto Médico Legal (IML).

A situação envolveu três vítimas: um jovem morto em acidente de moto e dois homens assassinados. Segundo as informações divulgadas, dois corpos foram entregues de forma equivocada às funerárias, enquanto o terceiro permaneceu retido no IML sem a devida liberação à família.

O caso ganhou contornos ainda mais graves após declarações da agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna, que afirmou que, após a descoberta da troca, teria sido sugerido que o erro fosse ocultado para evitar que a situação viesse à tona.

Segundo ela, a orientação seria seguir normalmente com velórios e sepultamentos.

A Polícia Científica negou oficialmente que qualquer proposta nesse sentido tenha sido feita, mas confirmou a existência da falha operacional e informou que abriu investigação interna por meio da Corregedoria.

Independentemente de onde esteja a responsabilidade final, o episódio escancara uma situação alarmante.

Não se trata apenas de um erro burocrático.

Trata-se de famílias vivendo novamente um processo de luto, dor e trauma psicológico após descobrirem que se despediram da pessoa errada.

A gravidade humana do ocorrido ultrapassa qualquer discussão técnica.

Os relatos apontam que os corpos precisaram ser exumados para correção da identificação e posterior novo sepultamento, ampliando ainda mais o sofrimento das famílias envolvidas.

Além da investigação interna anunciada pela Polícia Científica, o Ministério Público de Santa Catarina informou que irá apurar o caso.

A situação também reacende um debate importante sobre fiscalização, protocolos de conferência e responsabilidade compartilhada entre os órgãos públicos e os serviços funerários.

Em estruturas que lidam diariamente com vidas interrompidas e famílias emocionalmente devastadas, não pode haver espaço para negligência, improviso ou falhas de identificação.

A própria Polícia Científica reconheceu publicamente o erro e afirmou que revisará protocolos relacionados à custódia, identificação e liberação de corpos para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.

Ainda assim, permanece um questionamento inevitável: como um sistema que deveria operar com máximo rigor técnico permitiu uma falha de tamanha dimensão?

Mais do que encontrar culpados, o caso exige mudanças concretas, revisão séria dos procedimentos e compromisso absoluto com respeito às famílias.

Porque dignidade não pode terminar no momento da morte.

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