Por Benedito Dias
Como Bolsonaro se sente ao ver Lula dialogando com Donald Trump? Ele, que lutou para que o presidente dos Estados Unidos perseguisse o Brasil com sanções, agora assiste das grades o seu desafeto no salão Oval. Para Washington só existe uma coisa: dinheiro para os americanos. Não importa quantos morram, nem o que seja destruído: patrimônio, vidas, soberania. O que importa é a “América grande de novo”, mesmo que o resto do planeta vire cinza do charuto do Tio Sam.

Pois bem, é a segunda vez que Lula se encontra com Trump e, em ambas, o presidente brasileiro parece ter enfeitiçado o Xerife Universal. A impressão de “esquerdista ultrapassado”, “marxista-leninista” ficou enterrada no carpete da Sala Oval. As narrativas bolsonaristas caíram por terra. Ao emissário da ultradireita, Eduardo Bolsonaro, restou o gosto amargo do dedo envenenado. É chupando o indicador que ele sente o azedo da derrota, o fel da diplomacia às avessas que nunca soube articular.
Lula, na reunião pedida por Trump, porque Lula não mendigou encontro, impressionou de novo. Ninguém decifra Trump. O homem é um relógio sem ponteiro: hoje dorme acordado, amanhã acorda dormindo e ostenta as olheiras de quem briga com o travesseiro. Mas também, pudera: o Irã, infinitamente menor que o “monstro” americano, está fazendo o dono do mundo ajoelhar no lajedo quente. Os Estados Unidos não admitem, mas levaram coice de cavalo nanico. Mexer com quem está quieto nunca foi inteligência. É cobra cutucando cobra: ameaçada, reage. E se acertar a picada, haja antídoto pra curar.
Enquanto Bolsonaro espuma de raiva atrás das grades, Lula caminha no tapete vermelho da Casa Branca. Um planta narrativa, o outro colhe manchete. Um oferece o Brasil de bandeja, o outro senta à mesa e come do prato principal. O Brasil, que cansou de ser quintal, agora é Sala Oval. Na primeira vez foi em Nova York, em setembro de 2025, na ONU. A segunda foi agora, em Washington, no tapete que Bolsonaro só pisou pra tirar selfie. Nas duas, Lula fez o que a cartilha bolsonarista jurava ser impossível: enterrou o espantalho de “marxista-leninista” bem no meio da Casa Branca. Os generais de WhatsApp espumaram. As narrativas caíram como prédio condenado.
E Eduardo? Ah, o “chanceler” da família. Pra ele sobrou o dedo envenenado no caldo da sopa da raiva destilada do Malafaia. Agora veja o detalhe que ninguém te contou: a reunião durou 7 minutos a mais que o previsto. 7 minutos com Trump é prorrogação em final de Copa: só acontece se o jogo foi pau a pau. E foi.
O homem é um boleto que vence todo dia num valor diferente. Hoje quer comprar a Groenlândia, amanhã tarifa o mundo. Mas tem uma coisa que ele entende muito bem: o poder, mas… veja… o Irã, do tamanho de um fusca, está fazendo a máquina de guerra americana suar frio no deserto.
Moral da história: Cutucar cobra quieta é burrice. A cobra pica, o veneno age e quando você corre atrás do antídoto, a farmácia já fechou. Bolsonaro cutucou o Judiciário Brasileiro por 4 anos. Ganhou grade. Lula jogou xadrez: se calou quando devia se calar, falou quando devia falar. De repente, o telefone toca. É o Xerife. Afinal, terras raras nem todo mundo tem. Lula entrou pela porta da frente e empolga o homem mais topetudo do mundo. Aqui cabe lembrar Jacó: “Verdadeiramente o Senhor está aqui e eu não sabia”. Gênesis 28:16. São verdades incontestes: enquanto um espuma atrás das grades, o outro brinda no salão. Isso não é para humilhar ninguém, mas é lição para quem acha que o poder é brinquedo. “Quem brinca com o poder segura brasas imaginando que vai controlar o incêndio”, escreveu George Orwell.
Para concluir: um planta narrativa de zap, o outro colhe manchete no New York Times. Um faz do Brasil quintal do mundo, o outro senta na mesa principal da Sala Oval. A inteligência do mundo já escolheu com quem vai jantar. E não foi com quem bate continência pra bandeira errada.









Publicar comentário