Um dos espaços naturais mais simbólicos de Garopaba pode passar por uma transformação que vai muito além da revitalização estética. A Prefeitura lançou o edital de chamamento público que abre caminho para a criação de um parque ecológico na Lagoa das Capivaras, com potencial para se tornar referência nacional em turismo sustentável.
Localizada em uma das áreas mais valorizadas do município, a lagoa ocupa quase 60 mil metros quadrados e carrega uma característica rara: é um espelho d’água inserido em uma zona urbana consolidada, a poucos metros do mar. Essa condição coloca o espaço no centro de uma discussão estratégica — como crescer sem perder a essência natural que sustenta o próprio turismo local.
O projeto será estruturado por meio de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), instrumento que permite a participação da iniciativa privada na construção técnica da proposta. Na prática, empresas e profissionais autorizados irão desenvolver estudos que servirão de base para uma futura concessão, definindo desde o modelo de gestão até a viabilidade econômica do parque.
A modelagem prevê uma abordagem ampla, organizada em cinco eixos: análise de mercado, desenvolvimento técnico, viabilidade financeira, impacto ambiental e estrutura jurídica. Esse tipo de organização não é por acaso — ele indica que o município busca mais do que uma obra, mas um projeto estruturado, capaz de se sustentar ao longo do tempo.
Outro ponto central é o alinhamento com diretrizes ambientais e compromissos institucionais, incluindo acordos firmados com o Ministério Público de Santa Catarina. Isso reforça que a proposta não se limita à exploração turística, mas carrega a responsabilidade de recuperação e preservação ambiental.
A inspiração em modelos consolidados, como o Lago Negro, sinaliza a intenção de criar um espaço que una contemplação, lazer e organização urbana — transformando o ambiente em ativo econômico sem comprometer sua integridade.
O edital está aberto à participação de interessados, incluindo empresas e consórcios, nacionais e internacionais. O prazo para envio de propostas segue até o início de junho, marcando o início de uma fase decisiva para o futuro do projeto.
Mas é importante olhar além do anúncio. Iniciativas como essa carregam desafios reais: garantir que a concessão não descaracterize o espaço público, manter o acesso democrático e assegurar que a sustentabilidade não seja apenas discurso, mas prática contínua.
Se bem conduzido, o projeto pode reposicionar Garopaba como referência em turismo inteligente — aquele que entende que preservar não é limitar o desenvolvimento, mas justamente o que o torna possível.
No fim, a transformação da Lagoa das Capivaras não será medida apenas pela nova paisagem, mas pela capacidade de equilibrar interesses, proteger o território e construir uma cidade que saiba crescer sem perder sua identidade.








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