No dia 25 de abril, Imbituba não apenas celebra uma data — ela responde a um chamado ancestral.
O Dia Municipal dos Cultos aos Orixás marca mais do que um momento no calendário. É um gesto de resistência, de reconhecimento e de abertura para uma espiritualidade que, por muito tempo, foi silenciada, mas nunca deixou de existir.
É nesse contexto que o Terreiro de Umbanda Luz dos Orixás abre suas portas, a partir das 18h, convidando a comunidade para uma vivência espiritual profunda, acessível e carregada de significado.
Não se trata apenas de um evento.
É um encontro com aquilo que sustenta.
A exposição dos Orixás não será apenas simbólica — será presença. Cada elemento, cada representação, carrega fundamentos que atravessam gerações: a força da mata, a firmeza da pedreira, o equilíbrio dos elementos que regem a vida.
Quem chegar, não será espectador.
Será parte.
Ao longo da noite, serão realizados atendimentos espirituais gratuitos, com passes, orientações e descarregos voltados à saúde, à proteção e ao equilíbrio. Um espaço de acolhimento real, onde cada pessoa poderá acender sua vela, fazer seus pedidos e se reconectar com sua própria essência.
As comidas típicas, preparadas com respeito e fundamento, reforçam esse elo entre corpo, memória e espiritualidade — uma tradição que alimenta mais do que o físico: alimenta pertencimento.
A programação também reafirma a força cultural das raízes afro-brasileiras, com roda de capoeira Angola — expressão de resistência viva — e palestra com a Dra. Renata Waleska de Sousa Pimenta, ampliando o olhar sobre o sincretismo religioso e os caminhos históricos dessas práticas no Brasil.
Às 19h20, a gira começa.
É nesse momento que o invisível ganha forma, que os caboclos chegam e que o sagrado se manifesta no corpo, na palavra e na energia. Um instante de conexão profunda, de cura e de orientação.
Neste ano, cada terreiro de Imbituba realiza sua celebração de forma independente, fortalecendo suas identidades e mostrando que a diversidade também é fundamento dentro da fé.
Mas é preciso dizer com clareza:
Celebrar os Orixás também é enfrentar o preconceito.
É afirmar o direito de existir, de cultuar e de ser respeitado.
O Terreiro Luz dos Orixás não abre apenas suas portas.
Abre caminhos.
E amanhã, quem sentir o chamado, já sabe onde encontrar.










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