Enquanto o poder público enfrenta dificuldades para estruturar a coleta seletiva em Imbituba, moradores de Ibiraquera, Araçatuba e Barra de Ibiraquera estão mostrando, na prática, que é possível fazer diferente.
Sem apoio institucional e de forma totalmente independente, uma iniciativa comunitária vem organizando o recolhimento de materiais recicláveis em diversas ruas da região. O movimento, que começou de forma simples — com a tentativa de atender apenas uma rua em Ibiraquera — rapidamente ganhou força.
Hoje, já reúne cerca de 140 moradores em um grupo ativo, com itinerário definido e coletas semanais acontecendo de forma contínua há mais de dois meses.
A ação surgiu a partir de uma necessidade evidente: muitas pessoas já possuem o hábito de separar o lixo reciclável, mas não encontram um sistema eficiente de recolhimento no município.
“Existe uma demanda real da população. As pessoas querem fazer o certo, querem separar seu lixo, mas não têm quem recolha. Diante desse vazio, eu comecei a organizar”, relata, Fernando Berger um dos responsáveis pela iniciativa.
A solução encontrada foi buscar uma empresa privada, com estrutura para coleta e triagem, capaz de atender a região. A partir daí, o que era uma ação pontual se transformou em um movimento coletivo.
Atualmente, o serviço atende diferentes localidades, com rotas organizadas e participação crescente da população.
Enquanto isso, o cenário oficial ainda levanta questionamentos.
A coleta seletiva é uma obrigação prevista dentro da gestão de resíduos sólidos e faz parte das responsabilidades do município. No entanto, moradores relatam falhas na execução, falta de regularidade, ausência de orientação à população e dificuldades de comunicação com os responsáveis pelo serviço.
“Não há organização clara. Muitas vezes o caminhão do lixo comum e o da coleta seletiva passam sem qualquer coordenação. A população não recebe instrução e acaba ficando perdida”, aponta.
Outro ponto levantado é a atuação da cooperativa responsável, que, segundo relatos, não tem conseguido atender de forma consistente à demanda existente.
Diante disso, a iniciativa comunitária acaba ocupando um espaço que deveria ser garantido pelo poder público.
Além do impacto ambiental positivo, a coleta seletiva também possui valor econômico. Materiais como alumínio, plástico e outros recicláveis são separados, prensados e comercializados, gerando renda dentro de uma cadeia produtiva que envolve diferentes trabalhadores — desde coletores informais até empresas estruturadas.
Para se ter uma ideia, um único fardo de alumínio pode alcançar valores superiores a nove mil reais, evidenciando o potencial econômico que hoje, em grande parte, está sendo desperdiçado quando esses materiais são enviados ao aterro sanitário.
Mais do que uma questão ambiental, trata-se de gestão eficiente de recursos.
Diante desse cenário, a pergunta que fica é direta:
por que uma iniciativa popular consegue funcionar, enquanto o sistema público ainda enfrenta dificuldades?
A população está fazendo sua parte. Está se organizando, separando resíduos e participando ativamente de uma mudança necessária.
Agora, é fundamental que a Prefeitura de Imbituba se manifeste.
Há planejamento para a coleta seletiva no município?
Existe fiscalização e acompanhamento dos serviços prestados?
Quais medidas estão sendo adotadas para garantir que os resíduos recicláveis não sejam descartados de forma inadequada?
Esta matéria abre espaço para o posicionamento oficial do poder público, reforçando a importância do diálogo e da transparência.
O que está acontecendo em Ibiraquera não é apenas uma solução local — é um sinal claro de que a cidade quer avançar.
E quando a população aponta o caminho, cabe à gestão pública decidir: vai acompanhar ou continuar ficando para trás?










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