A semana terminou com um abalo significativo nos bastidores do governo Michel Peninha. Aquela figura conhecida nos corredores como o “leão de chácara” da administração foi silenciosamente retirada de cena, mas não sem deixar um rastro de questionamentos.
A exoneração, publicada no Diário Oficial, tem nome e sobrenome: Valmor Mattei. Um servidor já aposentado, que nos últimos anos passou a orbitar diretamente o núcleo político de Peninha, acompanhando agendas ainda nos tempos de vereador e sendo peça-chave na campanha que o levou ao comando do município.
Já no governo, Mattei não ocupava uma função qualquer. Era o coordenador de Serviços da Sala dos Conselhos, cargo estratégico, responsável pela interlocução com os conselhos municipais. Na prática, um operador político dentro de uma engrenagem sensível da administração.
Mas o que torna o episódio ainda mais grave é o contexto. Nos bastidores, circula a informação de um suposto envolvimento em grilagem de terras em Imbituba, uma acusação pesada, que por si só já exigiria explicações firmes e imediatas.
E é justamente aqui que o problema ganha dimensão maior.
O primeiro ano de gestão, em 2025, já havia sido marcado por uma sequência de falhas administrativas difíceis de ignorar. A prefeitura passou praticamente todo o período negativada, sem Certidões Negativas de Débito (CNDs), o que travou o acesso a recursos do Estado e da União. Um cenário que compromete investimentos, paralisa projetos e evidencia desorganização interna.
A relação com os servidores públicos também nunca se estabilizou. Faltaram diálogo, previsibilidade e confiança. Enquanto isso, a população enfrentava problemas básicos: falta de água em diversos pontos da cidade, falhas recorrentes na coleta de lixo e serviços essenciais aquém do esperado.
Na gestão de obras, o quadro não é diferente. Projetos herdados da administração de Rosenvaldo Júnior seguem sem conclusão, reforçando a sensação de paralisia. O Plano Diretor, peça fundamental para o futuro do município, segue sem aprovação. E, em um dos pontos mais sensíveis, houve inclusive período de ausência de pagamentos ao hospital, algo que ultrapassa a esfera política e entra diretamente na área da saúde pública.
Ao mesmo tempo, chama atenção o aumento no número de cargos comissionados, ampliando a estrutura política enquanto serviços básicos enfrentam dificuldades.
Se 2025 já foi um ano perdido sob diversos aspectos, 2026 começa ainda pior. Os problemas persistem, sem sinais claros de correção de rumo. E agora, soma-se a isso o caso envolvendo alguém do círculo mais próximo do prefeito.
A exoneração de Valmor Mattei não é um fato isolado. Ela se encaixa em um cenário maior, de fragilidade administrativa e questionamentos crescentes sobre os critérios adotados dentro do governo.
A pergunta que fica é direta: trata-se apenas de mais um episódio, ou do sintoma de uma gestão que ainda não conseguiu se encontrar?
Porque quando os problemas deixam de ser pontuais e passam a ser regra, já não é mais crise. É padrão.










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