No próximo dia 18 de março, às 18 horas, nas dependências do Paes Leme Esporte Clube-PLEC, no bairro Paes Leme, acontece a última, e talvez mais decisiva, audiência pública promovida pela Prefeitura de Imbituba sobre o Projeto de Lei que regulamenta o novo Plano Diretor do município, que será enviada ao poder legislativo.
Tratado como um verdadeiro divisor de águas, o plano deveria representar um pacto coletivo sobre o futuro da cidade. No entanto, a condução do processo pelo atual governo tem provocado um crescente clima de desconfiança e mobilização popular. Moradores, lideranças comunitárias e setores organizados vêm se articulando para travar um embate direto com o poder público, exigindo revisão de pontos considerados sensíveis e, sobretudo, maior transparência.
O Jornal O Popular Catarinense teve acesso exclusivo a um documento-chave: o mapa encaminhado ainda no final de 2024 ao CONCIDADE. À época, o material atendia de forma mais equilibrada os interesses coletivos, especialmente das comunidades mais vulneráveis. Nele, regiões como a Praia do Porto e ACORDI estavam classificadas como Zonas Especiais de Interesse Social Tradicional – ZEIS-T, reconhecimento fundamental para garantir proteção, regularização e permanência de comunidades tradicionais, e tinha a Praia d’água como Zona de Conservação Ambiental.
O cenário atual, entretanto, segundo fontes ouvidas pela reportagem, é de ruptura. A proposta que agora circula apresenta mudanças significativas, e preocupantes. Áreas antes destinadas à proteção social teriam sido reconfiguradas, abrindo espaço para interesses econômicos e empreendimentos de grande porte. Para muitos, trata-se de uma guinada que favorece grandes empresários em detrimento da população local.
A tensão não é apenas técnica, é social, política e moral. O que está em jogo não são apenas índices urbanísticos ou mapas coloridos, mas o direito à cidade, à moradia e à preservação da identidade de Imbituba. Uma cidade conhecida não apenas por seu potencial econômico, mas por sua riqueza natural e cultural, a terra das baleias francas, dos butiás e dos imbés.
A audiência desta quarta-feira não será apenas mais um rito burocrático. Será o momento em que a população poderá, de forma direta, confrontar decisões, exigir respostas e tentar influenciar o rumo de um projeto que moldará as próximas décadas.
A pergunta que paira é simples e contundente: o novo Plano Diretor será construído com a cidade, ou apesar dela?
A resposta começa a ser dada agora. A participação popular não é apenas um direito, é, neste momento, uma necessidade.










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