Por Benedito Dias
O presidente Donald Trump, admirado por um mundo sem muita noção, parece mesmo querer governar o planeta.
Em pouco tempo de governo, já falou em anexar territórios, pressionou aliados históricos e ampliou confrontos militares que tensionam o cenário global. A retórica é simples: tornar a América grande de novo — custe o que custar ao resto do mundo.
Não há pena nem piedade.
Não sei se isso é ganância, egoísmo ou profecia. Porque, para quem lê a Bíblia, especialmente o Apocalipse, o mundo caminha para o domínio de um poder imperial antes do fim.
Ninguém é obrigado a acreditar nisso.
Mas eu, convertido ao evangelho aos 12 anos de idade, acredito com a mesma convicção de que dois mais dois são quatro.
Esses dias um amigo me disse admirar dois políticos no mundo: Donald Trump e Jair Bolsonaro.
Por educação, suportei a ignorância.
Mas confesso que fiquei triste pela falta de noção do meu amigo professor.
Pouco tempo depois ele aparece nas redes sociais usando uma meia com o nome de Bolsonaro.
Gente, o ser humano não precisa ser perfeito.
Mas também não precisa ser ridículo.
A idolatria política é a forma moderna de abandonar o pensamento
Curiosamente, esses dois políticos se apresentam como defensores da família e dos valores conservadores. Entretanto, o histórico familiar de ambos dificilmente caberia como exemplo em um manual de moral doméstica.
Agora o mundo volta a ouvir rumores de uma possível terceira guerra.
E o pior: começa justamente com quem controla o petróleo.
Petróleo não é água.
Se fosse, o Brasil estaria tranquilo, pois reinamos sobre o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do planeta. Sem falar nos rios — aqui, rio é quase mar.
Mas a guerra não começa pela água.
Começa pelo líquido que move o mundo: o petróleo.
Com a escalada das tensões no Oriente Médio e as ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, o preço do barril chegou a ultrapassar os 100 dólares nos mercados internacionais.
E quem paga essa conta?
O agricultor.
O caminhoneiro.
O agronegócio brasileiro, que costuma aplaudir essas lideranças até com as solas dos pés, será um dos primeiros prejudicados.
Por ironia do destino, a alta do diesel chega exatamente na época da safra de grãos.
Os caminhoneiros — aqueles que um dia foram convocados para parar Brasília — vão sentir o dinheiro do frete evaporar na boca do tanque.
Mas já deixo uma pergunta no ar.
Quando o preço do combustível subir, quando o diesel apertar e quando a logística da colheita pesar no bolso…
Quem a direita brasileira vai culpar?
Quem?
Quem?
Já consigo ouvir os discursos do senador Flávio Bolsonaro.
E já consigo ver as postagens se espalhando nos grupos de desinformação.
A guerra pode nascer nos gabinetes de Washington ou nas disputas pelo petróleo do Oriente Médio. Pode até começar no Golfo Pérsico, mas é por aqui que a história costuma ser contada de outro jeito.
A culpa sempre encontra um inimigo doméstico.
A direita faz as guerras e a esquerda paga o pato.










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