Raízes da Exclusão: O Itamaraty e o Legado Racial Brasileiro

Ah, o Itamaraty! Esse palácio imponente no Rio, símbolo da diplomacia brasileira, nos faz sonhar com negociações globais e acordos internacionais. Mas, vamos ser honestos: por trás dessa fachada elegante, há um espelho distorcido da nossa sociedade. Com mais de 56% da população se declarando preta ou parda, segundo o último censo do IBGE, como é possível que o corpo diplomático continue tão branco quanto um terno de gala? É hora de cavar fundo nas raízes dessa exclusão, porque entender o passado é a chave para não repetir os erros.

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Pense na equidade racial não como uma moda passageira, mas como uma dívida histórica. Silvio Almeida, em seu livro “Racismo Estrutural”, nos lembra que o racismo não é só um ato isolado, mas um sistema que privilegia uns e marginaliza outros. No Itamaraty, isso se traduz em barreiras invisíveis: desde a seleção até a progressão na carreira. E olha que ironia: o Brasil, berço da maior população negra fora da África, ainda lida com heranças coloniais que naturalizam essa exclusão. Aníbal Quijano e Walter Mignolo, com suas ideias decolonialistas, explicam como a América Latina, incluindo nós, foi moldada por uma visão eurocêntrica que valoriza o “branco” como padrão de excelência.

Para mergulhar nisso, usei uma abordagem mista: li pilhas de livros, analisei relatórios oficiais e comparei com outros países. O resultado? O Itamaraty nasceu em 1823, logo após a independência, num Brasil ainda escravista. Imagine: enquanto milhões eram acorrentados, a diplomacia se formava com elites brancas, educadas na Europa. A República, em 1889, trouxe a abolição, mas também a ideologia do “branqueamento” imigrantes europeus para “diluir” a população negra. O Instituto Rio Branco, criado em 1945, só reforçou isso: critérios elitistas, como educação superior e conexões sociais, que excluíam quem não tinha berço de ouro.

No século XX, a coisa piorou. A “racialização do mérito” associou inteligência e competência a traços brancos, invisibilizando diplomatas negros. E a sustentabilidade da inclusão? Bem, sem políticas de longo prazo, como mentorias e avaliações regulares, o Itamaraty corre o risco de continuar um clube exclusivo. É como plantar uma semente em solo árido: sem água e sol, ela murcha.

Enquanto o Brasil se transforma, com mais vozes negras ecoando nas ruas, o Itamaraty precisa refletir essa diversidade. Mas como? No próximo artigo, vamos ao presente: o panorama racial no serviço público e os desafios do CACD. Prepare-se para se indignar, e, quem sabe, agir.

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POR: LUIZ GUILHERME

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