A crescente ocorrência de casos de esporotricose em Imbituba tem gerado preocupação entre protetores de animais e moradores. A doença, causada por um fungo presente no solo, madeira em decomposição e areia contaminada, é considerada uma zoonose — ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos.
A protetora independente Drika, responsável pelo projeto Anjos de Bigodes, afirma que a situação já ultrapassa o nível de alerta e denuncia a ausência de políticas públicas efetivas para enfrentamento do problema no município.
Segundo ela, bairros como Vila Santo Antônio e Vila Nova já registram inúmeros casos suspeitos e confirmados, sem que haja uma estrutura municipal específica para o manejo da doença.
— Imbituba está lotada de casos e quase ninguém fala sobre isso. A esporotricose não é só um problema animal, é um problema de saúde pública — relata a protetora.
Doença silenciosa e de alto risco
A esporotricose costuma se manifestar inicialmente através de lesões cutâneas nos gatos, muitas vezes começando com feridas no focinho e orelhas, podendo evoluir para quadros graves. O contágio pode ocorrer por meio de arranhões, mordidas ou contato com secreções contaminadas.
Além disso, o fungo pode permanecer no ambiente, aumentando o risco para pessoas que trabalham com terra, jardinagem ou atividades relacionadas ao solo.
Especialistas alertam que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar a disseminação da doença.
Falta de estrutura pública preocupa protetores
De acordo com relatos de protetores, Imbituba não possui um Centro de Zoonoses estruturado para atendimento e controle da esporotricose, o que dificulta o encaminhamento adequado dos casos.
Conforme orientação repassada pela Vigilância Sanitária, em situações suspeitas, o tutor deve levar o animal até uma clínica veterinária, onde são realizados exames e, havendo confirmação, é feita a notificação oficial ao órgão sanitário.
No entanto, protetores afirmam que grande parte dos animais contaminados vive em colônias urbanas e não possui tutores responsáveis, o que torna o controle ainda mais complexo.
— O tratamento é caro e muitos animais são de rua. Estamos tentando salvar vidas praticamente sozinhos — afirma Drika.
Resgates feitos com recursos próprios
A protetora relata que vem realizando capturas e encaminhando animais para exames por conta própria. Em um dos casos mais recentes, ela conseguiu resgatar um gato em estado avançado da doença, apresentando graves lesões.
Segundo Drika, exames laboratoriais particulares foram realizados para comprovar o diagnóstico, mas ela afirma enfrentar dificuldades no reconhecimento de alguns laudos, o que pode atrasar o início do tratamento.
— Estamos lutando para garantir o tratamento dos animais e evitar que a doença se espalhe ainda mais — declarou.
Orientações à população
Protetores e especialistas recomendam que moradores fiquem atentos a animais com feridas na pele, principalmente na região do focinho, patas e orelhas. Em casos suspeitos, a orientação é:
• Não tocar no animal sem proteção
• Evitar contato direto com secreções
• Registrar imagens, se possível
• Informar imediatamente a Vigilância Sanitária
O abandono ou maus-tratos a animais doentes pode agravar a disseminação da doença e gerar riscos à saúde coletiva.
Espaço aberto
O Jornal Popular Catarinense deixa o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Imbituba e da Vigilância Sanitária sobre as medidas adotadas para o controle da esporotricose no município.
O avanço da doença levanta um alerta importante: o combate à esporotricose exige ações conjuntas entre poder público, profissionais da saúde, protetores independentes e comunidade.
O silêncio e a falta de políticas estruturadas podem transformar um problema veterinário em uma crise de saúde pública.
Jornal Popular Catarinense










Publicar comentário