Caso Catarina Kasten entra em fase decisiva na Justiça catarinense

O processo que apura o feminicídio da estudante Catarina Kasten, ocorrido na praia do Matadeiro, em Florianópolis, avança para uma etapa central no Judiciário de Santa Catarina. A partir do dia 11 de março, a Justiça inicia a oitiva das testemunhas, fase fundamental para a produção de provas no processo criminal.

O réu, um homem de 21 anos, segue preso preventivamente. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver, com aplicação de qualificadoras e agravantes. Por se tratar de crime de natureza sexual, a tramitação ocorre sob sigilo judicial.

Identificado como Giovane Corrêa Mayer, o acusado se apresentou espontaneamente à polícia no dia do crime e confessou a autoria. Após a fase de testemunhos, acusação e defesa deverão apresentar suas alegações finais, para então o Judiciário proferir a decisão da ação penal.

Crime teria sido premeditado, aponta o Ministério Público

De acordo com a denúncia do MPSC, o assassinato de Catarina Kasten foi premeditado e cometido com emboscada. A promotoria sustenta que o feminicídio teve como objetivo ocultar um estupro praticado contra a vítima.

Catarina, de 31 anos, saiu de casa na manhã de 21 de novembro de 2025 para ir a uma aula de natação. Para isso, precisaria atravessar a trilha da praia do Matadeiro, percurso que costuma durar entre cinco e dez minutos. Horas depois, sem retorno, o companheiro acionou a Polícia Militar.

As investigações indicam que o acusado aguardou Catarina na trilha, onde teria cometido o crime. Segundo a denúncia, ele a asfixiou de forma intencional e, em seguida, escondeu o corpo em uma área de difícil acesso, distante do caminho principal. Imagens de câmeras de segurança registraram o suspeito circulando pela trilha antes do crime e, posteriormente, observando a movimentação no local após o assassinato.

Caso mobilizou protestos e debate sobre feminicídio em SC

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Inglês da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Catarina Kasten era reconhecida por seu compromisso com a educação e pesquisava o ensino crítico da língua inglesa e a formação de professores. Amante da natureza, tinha na natação uma de suas principais atividades de lazer.

O crime gerou forte comoção social e impulsionou manifestações em Florianópolis e em outras cidades catarinenses contra a violência de gênero. O lema “Catarina, presente” marcou atos públicos, homenagens e audiências que cobraram políticas mais efetivas de combate ao feminicídio.

Somente em novembro de 2025, mês do assassinato de Catarina, oito mulheres foram mortas em Santa Catarina por razão de gênero. Ao longo do ano, o Estado contabilizou 51 feminicídios, reforçando a gravidade do cenário e a urgência do enfrentamento à violência contra a mulher.

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