A comoção gerada pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, desencadeou uma onda de ataques virtuais contra delegados da Polícia Civil de Santa Catarina. O delegado-geral do Estado, Ulisses Gabriel, e a delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pela Delegacia de Proteção Animal da Capital, passaram a ser alvos de ofensas, xingamentos e acusações nas redes sociais.
Segundo apuração, os ataques se intensificaram após a ampla repercussão do caso, que ganhou destaque nacional e mobilizou protestos em defesa da causa animal. Em comentários publicados na internet, internautas chegaram a acusar os investigadores de “politicagem” e de tentar “abafar” as apurações, além de pedirem a federalização do inquérito.
O cão Orelha foi morto no início de janeiro, na Praia Brava, no Norte da Ilha, após ser agredido a pauladas por quatro adolescentes. O animal era cuidado por moradores da região e sua morte causou indignação coletiva.
Diante da escalada de hostilidades, o delegado-geral Ulisses Gabriel afirmou que a Polícia Civil deverá instaurar um inquérito para identificar e responsabilizar os autores das ofensas direcionadas aos servidores públicos. Ainda não há prazo definido para a abertura formal do procedimento.
Durante coletiva realizada em janeiro, a Polícia Civil informou que três homens, familiares dos adolescentes envolvidos no crime, foram indiciados por coação de testemunha. Além disso, foi solicitada à Justiça a internação de um dos adolescentes apontado como autor direto da agressão que resultou na morte do animal.
De acordo com o laudo da Polícia Científica, Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30, sofrendo uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou objeto de madeira. Os mesmos adolescentes também são investigados por tentativa de afogamento de outro cão, chamado Caramelo, que conseguiu escapar com vida e posteriormente foi adotado pelo próprio delegado-geral.
O caso segue sob investigação e permanece mobilizando debates sobre violência contra animais, responsabilização penal de menores e os limites das manifestações nas redes sociais.









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