Cientista aponta possível relação entre componentes do sangue bovino, inflamações crônicas e doenças graves
Um alerta feito pelo médico e pesquisador Harald zur Hausen, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, vem provocando debates na comunidade científica e entre consumidores. Segundo ele, o consumo de leite e carne bovina provenientes de raças europeias pode estar associado ao aumento do risco de câncer colorretal e de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e esclerose múltipla.
De acordo com o pesquisador, o problema não estaria apenas na quantidade consumida, mas na presença de agentes infecciosos específicos encontrados no sangue e no soro do leite bovino. Esses agentes poderiam desencadear inflamações crônicas silenciosas no organismo humano, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de tumores e de doenças autoimunes ao longo do tempo.
Padrões globais chamam atenção da ciência
Zur Hausen destaca que estudos epidemiológicos revelam diferenças marcantes entre países. Regiões como a Índia, onde o consumo de carne bovina é tradicionalmente baixo ou inexistente, apresentam algumas das menores taxas de câncer de cólon no mundo. Já países como Japão e Coreia do Sul registraram aumento significativo desses casos após a adoção de uma dieta mais ocidentalizada, rica em carne vermelha e laticínios.
Três fatores principais de risco
Segundo o pesquisador, os danos associados ao consumo de carne bovina ocorreriam principalmente por três mecanismos:
- BMMFs (Fatores de DNA de origem bovina): moléculas que podem infectar células humanas e estimular processos inflamatórios persistentes.
- Ferro heme: componente natural da carne vermelha, conhecido por favorecer reações inflamatórias no organismo.
- Cozimento em altas temperaturas: métodos como fritura e grelha intensa podem gerar substâncias potencialmente cancerígenas na superfície do alimento.
Leite sob questionamento
O ponto mais controverso das pesquisas envolve o leite de vaca. Zur Hausen alerta que o gado leiteiro moderno pode carregar fatores capazes de provocar respostas autoimunes, sobretudo quando o contato ocorre muito cedo. A preocupação é maior durante a infância, fase em que o sistema imunológico ainda está em formação.
A hipótese apresentada é que a introdução precoce do leite de vaca na alimentação infantil poderia facilitar a instalação desses agentes no organismo, aumentando o risco de doenças como a esclerose múltipla décadas depois.
Caminhos para reduzir os riscos
Especialistas afirmam que não é necessário eliminar completamente esses alimentos da dieta, mas adotar estratégias para reduzir possíveis danos:
- Evitar carnes excessivamente passadas ou com partes queimadas;
- Atentar à origem do gado, já que pesquisas indicam que raças zebuínas, comuns no Brasil, podem apresentar menor risco do que raças europeias puras;
- Priorizar o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida, fortalecendo a barreira imunológica dos bebês.
Para o pesquisador, compreender os limites do corpo humano e respeitar as evidências científicas é fundamental para a prevenção das doenças crônicas que mais avançam no século XXI.










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