Registros de câmeras internas mostram os momentos finais de Anderson Aguiar do Prado, chefe da equipe de segurança do Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ele morreu após se arriscar repetidas vezes para conter o incêndio que atingiu o centro comercial no dia 2 de janeiro e tentar resgatar brigadistas que ficaram presos no subsolo. O incêndio deixou dois mortos e três pessoas feridas.
As imagens, obtidas com exclusividade pela reportagem, mostram Anderson enfrentando fumaça intensa e calor extremo para auxiliar na evacuação de funcionários e clientes. O fogo teve início por volta das 18h04 em uma loja no subsolo. Poucos minutos depois, Anderson já aparecia correndo pelos corredores com mangueiras de incêndio, tentando conter as chamas antes da chegada do Corpo de Bombeiros.
Mesmo sem equipamentos adequados de proteção, ele voltou diversas vezes ao local atingido. Por volta das 18h12, auxiliou na entrada de brigadistas e continuou ajudando colegas que deixavam a área já debilitados pela fumaça. Às 18h31, Anderson retornou novamente à loja em chamas para tentar resgatar duas brigadistas que haviam permanecido no interior do espaço.
Segundo o chefe da equipe de brigadistas, Anderson conseguiu indicar a saída para uma delas, mas acabou desmaiando enquanto tentava ajudar a outra, Emellynn Silvia Aguiar, que morreu por asfixia. As imagens mostram o segurança entrando pela última vez no local sem o paletó, já visivelmente exausto.
O corpo de Anderson só voltou a aparecer nas câmeras cerca de duas horas depois, quando ele foi retirado desacordado pelos bombeiros e levado ao hospital, onde não resistiu.
A brigadista Emellynn foi encontrada sem vida durante a madrugada. Familiares relataram à polícia preocupações anteriores da jovem com a quantidade de oxigênio nos cilindros e possíveis falhas nos equipamentos de proteção. A empresa responsável pela brigada informou que os equipamentos passaram por inspeções regulares e que os cilindros possuíam dispositivos de alerta para baixa carga.
A Polícia Civil investiga também possíveis falhas nos protocolos de evacuação. Imagens mostram que clientes continuaram circulando e até entrando no shopping cerca de 40 minutos após o início do incêndio. O estacionamento permaneceu aberto por parte do tempo, mesmo com a presença dos bombeiros no local.
Em nota, a administração do Shopping Tijuca afirmou que os protocolos de emergência foram seguidos e que cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas com segurança. O shopping informou ainda que a manutenção de hidrantes internos das lojas é responsabilidade dos lojistas e que colabora com as investigações.
O centro comercial reabre ao público nesta sexta-feira (16), com o subsolo e parte do primeiro andar interditados. A 19ª Delegacia de Polícia segue apurando as causas do incêndio, as condições dos equipamentos de combate ao fogo e eventuais responsabilidades.










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