Réveillon em Imbituba levanta questionamentos sobre gastos públicos, segurança e respeito à população

Imbituba começou 2026 sob aplausos contidos e muitas interrogações. A virada de ano, que deveria simbolizar celebração, acolhimento e organização, expôs fragilidades graves no planejamento do Réveillon promovido pelo poder público.

Com um investimento de aproximadamente R$ 300 mil em fogos de artifício, o espetáculo durou mais de 12 minutos, mas foi amplamente prejudicado pela chuva, que umedeceu os fogos, resultando em uma queima irregular, excesso de fumaça e poucos momentos visualmente aproveitáveis. Em diversos trechos, o céu ficou encoberto, comprometendo o efeito esperado e frustrando moradores e turistas.

Estrutura improvisada e riscos à segurança

Um dos pontos mais críticos foi a falta de estrutura e segurança. A área reservada para os fogos foi instalada sobre uma passarela, que liga a região do Jangadeiro ao bar do Errado, local de circulação constante de pedestres. Posteriormente, um cordão de isolamento simples foi estendido pela praia, sem iluminação adequada, sinalização eficiente ou presença ostensiva de agentes orientando o público.

Durante a noite, com pouca visibilidade, pessoas passaram por cima do cordão, sem qualquer controle efetivo. Não havia policiamento visível, nem presença clara de Corpo de Bombeiros, SAMU ou equipes de salvamento, o que causa preocupação diante da grande concentração de pessoas.

Houve registros de brigas pontuais. Felizmente, a postura majoritária do público foi de evitar conflitos, afastando-se quando as situações surgiam. Ainda assim, fica o alerta: em caso de tumulto generalizado, não havia contingente suficiente para garantir a segurança coletiva.

Fogos com som e o desrespeito à legislação

Outro ponto sensível foi o uso de fogos com estampido sonoro, prática amplamente questionada e restrita por legislação, justamente pelos impactos em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, bebês e animais. Imbituba é uma região com alto índice de pessoas autistas, e o barulho intenso gerou relatos de pânico, sofrimento e desespero, especialmente entre cães.

Existem alternativas técnicas e acessíveis, como fogos silenciosos, que garantem beleza visual sem causar danos sensoriais. A pergunta que fica é: por que insistir no barulho?

Cidade escura, decks danificados e contraste com os trabalhadores

Enquanto o espetáculo oficial apresentava falhas, o cenário urbano reforçava o contraste. Praias escuras, iluminação insuficiente, decks danificados e sensação de abandono chamaram atenção de quem escolheu Imbituba para passar a virada do ano.

Paradoxalmente, o que funcionou foram os trabalhadores informais, ambulantes e comerciantes, que — mesmo pagando alvarás — garantiram movimento, alimentação e alguma estrutura ao público. Eles fizeram sua parte. O poder público, não.

R$ 300 mil em 12 minutos: valeu a pena?

O investimento levanta um debate legítimo: faz sentido gastar R$ 300 mil em poucos minutos de fogos, ainda mais quando o resultado foi comprometido pela chuva, sem segurança adequada e com impacto negativo para parte da população?

Por que não investir em estrutura permanente, shows organizados, programação cultural, iluminação, segurança e acolhimento? Um Réveillon pode — e deve — ser pensado como experiência, não apenas como barulho no céu.

Um chamado para 2026/2027

Fica o desejo — e a cobrança — para que a virada de 2026 para 2027 seja planejada com mais responsabilidade, escuta e respeito. Imbituba recebe turistas que investem tempo e dinheiro para estar aqui, mas é fundamental lembrar que os moradores também merecem esse cuidado. São eles que mantêm a cidade viva durante todo o ano, fazem a economia local girar, sustentam o comércio, os serviços e constroem diariamente a identidade do município.

Celebrar o novo ano é mais do que soltar fogos. É garantir segurança, acessibilidade, inclusão e dignidade para todos — para quem visita e, principalmente, para quem vive aqui.

O Jornal Popular Catarinense reafirma seu compromisso com a informação responsável, com a escuta da comunidade e com a construção de uma cidade que respeite sua gente.

Redação – Jornal Popular Catarinense

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