O atropelamento de uma onça-parda na SC-390, rodovia que liga os municípios de Pedras Grandes e Tubarão, no Sul de Santa Catarina, trouxe novamente à tona a discussão sobre a convivência entre o avanço das rodovias e a preservação da fauna silvestre. O animal, considerado o segundo maior felino das Américas, morreu após ser atingido por um veículo.
O acidente ocorreu em meados de novembro, mas os resultados da necrópsia só foram concluídos semanas depois. Após o atropelamento, a onça foi recolhida pela Polícia Ambiental e encaminhada ao Centro de Pesquisas e Triagem de Animais Silvestres (CEPTAS), da Unisul, em Tubarão. De acordo com a coordenação do centro, o animal já chegou sem vida ao local.
Segundo o professor Rodrigo Ávila, responsável pelo CEPTAS, apesar de não serem vistos com frequência, os registros confirmam que a onça-parda faz parte da fauna da região. A presença do felino indica a existência de um corredor ecológico importante, com áreas florestadas que conectam a região às encostas da Serra, permitindo o deslocamento e a sobrevivência da espécie.
“A existência de um predador de topo como a onça-parda demonstra que a cadeia alimentar está completa. Isso é fundamental para o equilíbrio ambiental”, destacou o professor.
A análise apontou que, embora a causa da morte tenha sido o atropelamento, o animal apresentava um estado de saúde bastante comprometido. Tratava-se de uma fêmea jovem, com cerca de 20 quilos, que possuía grande quantidade de parasitas externos, como carrapatos, além de parasitos internos no estômago e intestino. Também foram identificados problemas graves nos pulmões e nos rins.
De acordo com o professor, o quadro debilitado pode ter contribuído para que o animal se aproximasse da rodovia em busca de presas mais fáceis, como filhotes de capivara, o que acabou resultando no acidente.
O caso não é isolado. Ao longo de 2025, diversos atropelamentos de animais silvestres foram registrados em rodovias da região Sul do estado, como na SC-108, entre Criciúma e Cocal do Sul. A recorrência desses episódios reforça a necessidade de medidas mais eficazes para a proteção da fauna.
Entre as soluções apontadas estão a implantação de passagens de fauna — estruturas subterrâneas ou aéreas que permitem o deslocamento seguro dos animais entre áreas naturais. No entanto, especialistas alertam que essas intervenções precisam ser precedidas de estudos técnicos e acompanhadas de sinalização adequada e conscientização dos motoristas.
“O respeito aos limites de velocidade e o planejamento correto das rodovias são fundamentais para reduzir esse tipo de ocorrência e preservar o equilíbrio ambiental”, concluiu o professor.










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