Quem é Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF condenado pelo STF que tentou fugir para El Salvador

Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e ex-secretário municipal de São José, foi preso nesta sexta-feira (26) após romper a tornozeleira eletrônica e tentar deixar o país. Ele foi detido no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar em um voo com escala no Panamá e destino final em El Salvador.

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A prisão ocorreu dez dias após Silvinei ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento em cinco crimes relacionados à tentativa de golpe após as eleições de 2022.

De acordo com informações apuradas pela imprensa, o ex-dirigente da PRF saiu de Santa Catarina sem autorização judicial e utilizava um passaporte paraguaio legítimo, porém com identidade incompatível. Assim que o rompimento da tornozeleira foi detectado, alertas foram emitidos às autoridades de fronteira, o que resultou na sua localização e prisão no Paraguai.

Trajetória e formação

Conforme registros da plataforma Lattes, Silvinei Vasques é formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Direito pela Univali, em Segurança Pública pela Unisul e em Administração pela Udesc.

Ele ganhou projeção nacional ao comandar a PRF durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Sua gestão foi marcada por controvérsias, especialmente no segundo turno das eleições de 2022, quando a corporação realizou operações em rodovias federais, apesar de determinação do STF que proibia ações desse tipo no dia da votação. Na ocasião, Silvinei também publicou manifestação de apoio a Bolsonaro nas redes sociais.

Após o pleito, sua atuação voltou a ser questionada por suposta omissão da PRF diante de bloqueios de rodovias promovidos por grupos que contestavam o resultado eleitoral.

Condenações e punições

Além da pena de prisão, o STF impôs a Silvinei multa de 120 dias-multa, que pode alcançar cerca de R$ 180 mil, e determinou a perda do cargo de policial rodoviário federal aposentado. Ele também ficará inelegível até o cumprimento integral da pena.

Silvinei já havia sido condenado anteriormente, em 2017, pela Justiça Federal de Santa Catarina, em um processo relacionado a uma agressão ocorrida em 2000, em Goiás, embora ainda recorra da decisão.

Relação com Santa Catarina

Natural de Ivaiporã, no Paraná, Silvinei construiu grande parte de sua carreira em Santa Catarina. Ingressou na PRF em 1995, atuou como superintendente da corporação no estado e também no Rio de Janeiro. Entre 2007 e 2008, foi secretário municipal de Segurança de São José.

Após se aposentar da PRF, seu nome chegou a ser cogitado para assumir a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina no governo de Jorginho Mello (PL), mas a indicação não avançou. Até a condenação, Silvinei ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico de São José, do qual foi exonerado a pedido próprio.

Prisão no Paraguai

Após ser detido no aeroporto de Assunção, Silvinei foi colocado à disposição do Ministério Público do Paraguai e deverá ser expulso do país, sendo entregue às autoridades brasileiras. O contato com a defesa do ex-diretor da PRF segue em tentativa de apuração.

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