Por Benedito Dias
Bonito para o cara do Dudu!
No dia 2 de dezembro, Lula pediu a Donald Trump a retirada das sanções impostas a autoridades brasileiras. Dez dias depois, o presidente americano atendeu ao pedido. O primeiro nome a sair da lista foi justamente o de Alexandre de Moraes — o alvo preferencial, quase obsessivo, do deputado Eduardo Bolsonaro.
Xandão, agora livre das narrativas do clã.
A chamada Lei Magnitsky foi criada para situações muito específicas: graves violações de direitos humanos e corrupção sistêmica. Não nasceu, portanto, para negociatas ideológicas, nem para a exportação de ressentimentos politiqueiros, populismo barato ou oportunismos convenientes travestidos de diplomacia. Quando se percebeu que a norma estava sendo instrumentalizada como moeda política, o governo americano — que não é exemplo moral em matéria de direitos humanos, mas sabe preservar a própria lei — optou por não permitir que ela fosse desfigurada de seu propósito original.
E agora, Edu?
Para que serviu todo esse “esforço”?
Na ilegalidade, condenado, com o mandato por um fio, inelegível e se voltar ao Brasil poderá ser preso. Se fosse homem de bom caráter, jamais teria optado pela perseguição política sob o manto da mentira. Aqui, ironicamente, seria hoje o plano B do pai para herdar o suposto reinado político da direita, da qual acredita ser proprietário por usucapião ideológico.
E agora, Edu ?
Trump é mesmo seu amigo?
Clarice Lispector, em sua célebre reflexão sobre “o bobo”, não fala do tolo estúpido, mas do ingênuo funcional. O bobo pode até ser criativo, espontâneo, mas continua sendo bobo. Não por falta de inteligência, mas por excesso de ilusão. O “bobo” a que me refiro, em “A Descoberta do Mundo”, não é o tolo sem inteligência, mas o ingênuo que acredita que o mundo opera segundo critérios morais que ele próprio não pratica.
Eduardo não se destaca por caráter, competência, experiência ou honestidade — atributos mínimos para a vida pública. Em três mandatos como deputado federal, assim como o pai em 27 anos de Congresso, não há notícia de um projeto relevante de sua autoria aprovado na Câmara dos Deputados. Ainda assim, paradoxalmente, poderia ser o preferido do patriarca, por que?
-Porque é mais inconsequente que Flávio.
-Mais bruto que Carlos.
-Menos arriscado que Michelle.
-Mais parecido com o pai nos métodos, que, na ótica do mito, é qualidade.
Edu Poderia ter sido reeleito com folga? Sim. Jogou fora.
Poderia ser senador? Sim. Jogou fora.
Poderia até sonhar com a Presidência da República — ou, ao menos, ter o privilégio de disputar votos, dividir palco e debater propostas com o único estadista do mundo eleito presidente da República por três vezes, pela vontade soberana do povo. Podia, claro, mas jogou fora.
O bobo não é burro.
É ingênuo.
Achar que Trump trocaria o Brasil por um clã político decadente é ingenuidade em estado puro. Política internacional não se faz com devoção familiar nem com bravata de redes sociais.
E agora, Edu?
Como dizem os mais antigos lá das bandas de Minas Gerais:
“Cara grande! Tá aí agora com a cara grande!”
Haja óleo de peroba!
Logo após o cancelamento da sanção contra Alexandre de Moraes e sua família, Eduardo ainda tentou salvar a narrativa: disse que Trump agiu apenas para defender interesses americanos — e não para atender ao pedido de Lula.
Quando Eduardo decidiu cheirar as botas de Donald Trump, confesso que perdi algum tempo tentando compreender o que se passava por aquela mente supostamente estratégica. Esforcei-me. Procurei método, cálculo, inteligência política. Não encontrei nada que fosse além do nada.
Não havia ali astúcia, nem visão de Estado. Havia apenas ingenuidade — aquela que, na leitura de A Descoberta do Mundo, define o “bobo”: não o burro, mas o bobo que confunde poder com afeto, gratidão ou lealdade pessoal.
Política internacional é feita de interesses. E interesses, ao contrário da ingenuidade, não têm amigos.
Coitado.
Disse também que vai continuar por lá.
Fazendo o quê?
Sabe Deus.











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