Desligar a mente é uma arte. E, como toda arte, requer intenção, delicadeza e um pouco de coragem. Não dá para passar o ano inteiro no modo sobrevivência e esperar que a mente obedeça a um comando súbito de silêncio. A cabeça chega nas férias no mesmo ritmo em que viveu dezembro: barulhenta, exigente e cheia de lembretes.
Existe uma fantasia coletiva sobre as férias, a ideia de que, ao fechar a porta do trabalho, a mente também se fecha, que basta trocar o despertador pela praia e, pronto, o cérebro entra automaticamente no modo descanso. Mas a verdade é que, para muita gente, o corpo até para, só que a cabeça continua acelerada. As férias não curam aquilo que continuamos carregando por dentro.
Desligar a mente não significa silenciar pensamentos, mas permitir que eles diminuam o ritmo. É reconhecer que você não é o eixo que sustenta o mundo e que, ao soltar o controle, nada desmorona, pelo contrário, tudo respira. É afastar-se um pouco das telas, não por fuga, mas por presença, deixando que a vida real volte a ocupar espaço. É resgatar o valor do ócio como cura, entender que descansar não é parar, é se recompor. É voltar ao corpo, esse território sábio que nos ancora no agora através da respiração, do movimento lento, do sentir. Porque onde há compressão, não há florescimento. E a pausa, quando respeitada, deixa de ser luxo para se tornar um gesto essencial de autocuidado.
Cláudia Russo – CEO da Burnout Empresarial, escritora, palestrante, implementadora da nova NR1, especialista em saúde mental corporativa e no combate ao burnout.
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