O RECADO
O resultado da escolha para o Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça de Santa Catarina foi mais do que uma simples votação interna — foi um recado direto à classe política. O TJSC deixou claro que ali não vale pressão de governador, articulação de bastidores ou torcida externa: vale currículo, trajetória e a confiança dos magistrados. A derrota de Ivan Naatz, nome apoiado explicitamente pelo governador Jorginho Mello, mostrou que o Judiciário catarinense não está disposto a confundir independência institucional com jogo político.
E essa postura não surge do nada. Desde a primeira fase da Operação Mensageiro — quando 18 prefeitos foram presos — o TJSC tem se mostrado firme, marcando território e mostrando que cada poder tem sua função. A Corte entendeu que havia nomes mais qualificados, mais preparados e mais alinhados ao perfil esperado para uma vaga de desembargador. Naatz, apesar da força política, não passou nem perto.
Em tempos de tentações cruzadas entre Legislativo, Executivo e Judiciário, o recado é simples: em Santa Catarina, toga não se veste por influência. Se conquista.
O RECADO II
A eleição da nova cúpula do Tribunal de Justiça de Santa Catarina trouxe outro recado direto à classe política. Desta vez, quem sentiu o baque foi o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, que atuava nos bastidores pela eleição da desembargadora Maria do Rocio para comandar o TJSC no biênio 2026-2028. O plenário escolheu Rubens Schulz, deixando claro que, ali dentro, a influência política não determina o resultado.
Assim como no episódio recente do Quinto Constitucional, o Judiciário catarinense reafirmou sua autonomia. Judiciário é Judiciário, Legislativo é Legislativo — e cada qual sabe do seu limite. As “leis latinas” que valem no mundo político não se aplicam quando a toga entra em cena.
Com Schulz eleito pela própria Corte, o TJSC reforça que suas escolhas são internas, técnicas e independentes. Em Santa Catarina, o recado está dado: interferência externa não decide eleições no topo do Poder Judiciário.
PDT EM ASCENSÃO
O PDT vive um momento de expansão inédita na região, e a posse de Carol da Rocha como presidente municipal em Imaruí confirma essa fase de crescimento. Sob a coordenação regional da Imbitubense Graciela Ribeiro, o partido tem avançado onde o PT recuou, ocupando espaços que antes eram hegemonicamente petistas. Em Imaruí, Carol reestrutura a sigla após uma década de estagnação, atraindo novas lideranças e ex-candidatos de outras legendas. Já em Imbituba, onde o PT praticamente desapareceu — sem diretório ativo e com votações pífias — o PDT surge como alternativa forte.
O movimento é estratégico: o partido prepara candidatura a deputado estadual tanto em Imaruí quanto em Imbituba, com nomes competitivos. Em Imbituba, a aposta é no ex-prefeito Rosenvaldo da Silva Júnior, que retorna ao cenário eleitoral com relevância. Em Imaruí, Carol Rocha desponta como possível representante na Assembleia, ampliando o alcance da sigla. O PDT hoje conta com apenas um deputado estadual e a somatória dos candidatos poderá alcançar a segunda vaga.
HORA DE AJUSTAR
Imbituba encerra o ano enfrentando desafios administrativos perceptíveis em áreas como infraestrutura, saúde, educação e turismo. Ainda assim, é justo reconhecer que o prefeito Michell Nunes é uma pessoa honesta, trabalhadora e presente — um dos poucos gestores que cumpre expediente manhã e tarde, de segunda a sexta. Traz consigo a experiência de ex-vereador e uma trajetória bem-sucedida no setor da construção civil. Porém, administração pública não é extensão da iniciativa privada: não basta boa vontade ou teoria. Governar exige ajustes constantes, diálogo político e decisões equilibradas. É preciso deixar a vaidade de lado, evitar a postura de “detentor absoluto da verdade” e manter os ouvidos realmente abertos — tanto dentro quanto fora da bolha.
O governo precisa ampliar conversas com os vereadores, ouvir especialistas, valorizar a vivência do funcionalismo e trabalhar com uma agenda mais conectada ao dia a dia da cidade. Planejamentos excessivamente conceituais, sem aderência ao ritmo real da máquina pública, acabam travando entregas. Pensar grande é essencial, mas não podemos deixar o básico acumulando na fila de espera.
Um exemplo simples desse “básico” são os seis principais eventos do município — aniversário da cidade, Festa da Baleia Franca, Natal, Réveillon, Festa do Camarão e Carnaval — que têm obrigação de ser referência, mas hoje ainda aparecem “capengando”.
PLANO DIRETOR
O atraso no envio do Plano Diretor à Câmara vem causando crescente apreensão no setor da construção civil em Imbituba. Há meses o documento está nas mãos do Executivo, após amplo trabalho técnico do Concidade responsável, que realizou oficinas e entregou o material pronto para ser encaminhado ao Legislativo. Até agora, porém, não há qualquer definição de quando o projeto seguirá para análise dos vereadores.
Essa indefinição trava investimentos. Um empreendimento viável hoje pode se tornar inviável no dia da aprovação, já que o novo Plano deve atualizar coeficientes e índices urbanos que ainda seguem baseados na legislação de 2005, da gestão Beto Martins. Para o setor, cada dia de atraso significa perda de competitividade e insegurança jurídica.
A construção civil é uma das principais molas da economia local — gera emprego, renda, impostos e movimenta toda a cadeia de serviços. A demora do governo em tratar o Plano Diretor com a prioridade necessária já resulta em estagnação e preocupação generalizada. Imbituba precisa destravar esse tema com urgência para não comprometer seu próprio desenvolvimento.
NOVELA
A sucessão na Câmara de Imbituba virou quase uma novela das oito. A poucos dias da eleição, o governo ainda não bateu o martelo sobre quem será seu candidato. A suposta desistência de Eduardo Faustina (PL), nome originalmente alinhado ao Executivo, abriu um racha interno: alguns vereadores afirmam que o compromisso era com Faustina; outros insistem que o acordo previa apenas que o segundo ano de comando fosse do PL, já que o primeiro ficou com o PSD, com Mateus Paladini.
Dentro do próprio PL, o cenário também é confuso. Ganharam força os nomes de David Aquino, que deve deixar a Secretaria de Infraestrutura para retornar ao Legislativo, e segunda informações extraoficiais o vereador mais votado do partido, Darlan Bach, que também quer a presidência. Paralelamente, o atual presidente Mateus Paladini corre por fora, defendendo sua reeleição para concluir obras e reformas que conduziu no Legislativo.
Faltando tão pouco para a votação, o governo ainda não conseguiu alinhar seu nome — o que aumenta o risco de fissuras. Mas uma certeza permanece: em Imbituba, quem define o presidente da Câmara é o prefeito. E, quando ele finalmente apontar o escolhido, esse será o candidato favorito para liquidar a fatura. Porém, independente de quem seja o próximo presidente, haverá contente e descontente.
#RAPIDAS#
- Os partidos União Brasil e Progressistas (PP) pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (4) o registro de uma federação partidária entre as siglas. Dirigentes da federação afirmam que a aliança deverá se posicionar de forma crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
- Embarrigou, João Rodrigues (PSD) marcou data para renunciar à prefeitura de Chapecó — dia 23 de março de 2026 — e concorrer oficialmente ao governo do Estado. Quem realmente quer entrar na disputa pra valer deveria renunciar este mês.
- O vice de Jorginho Melo em 2026 dentro do MDB deverá ser o Deputado Estadual e empresário Antídio Lunelli que foi prefeito por duas vezes de Jaraguá do Sul. Carlos Chiodini presidente da sigla e deputado federal deverá concorrer a reeleição.
- O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC) determinou a apresentação de documentos referente a concessão dos serviços de abastecimento de água do município de Bombinhas.
- Com salários de 26 mil reais, vereadores de Florianópolis querem contratar 33 vagas de estacionamento particular. A câmara ainda não informou o custo estimado da contratação.
- A ex-diarista Adna dos Anjos lotada no gabinete do senador Jorge Seif PL/SC desde 2023, recebe um salário de R$ 31,2mil, valor superior ao que é pago a oito governadores brasileiros.
- Há quem diga que o ano político de Imbituba ainda não fechou as cortinas — Nada grandioso, nada alarmante. Só aquele murmúrio leve de que a política, por aqui, gosta de dar um último suspiro antes da virada.










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