Torcedora do Avaí é filmada gritando ofensas racistas e xenofóbicas contra torcedores do Remo; caso é investigado

Um vídeo envolvendo uma torcedora do Avaí, identificada como Ana Costa, repercute fortemente nas redes sociais após mostrar falas de teor racista e xenofóbico direcionadas a torcedores do Remo durante a partida entre as equipes, realizada no sábado (15), na Ressacada, em Florianópolis. A Polícia Civil e o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) já apuram o caso.

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A defesa da mulher afirma que ela está arrependida e pede desculpas, alegando que havia sido alvo de provocações e insultos momentos antes da gravação.

A seguir, veja o que já foi esclarecido e os pontos que seguem em aberto:

Onde ocorreu o episódio?

As ofensas foram proferidas nas arquibancadas da Ressacada, durante o jogo válido pela Série B do Campeonato Brasileiro. A gravação mostra Ana sorrindo e gritando insultos contra torcedores do Remo, que vieram do Pará para acompanhar a partida.

O que foi registrado no vídeo?

No registro, a torcedora aparece rindo e gritando frases ofensivas relacionadas a origem, condição financeira e cor da pele dos torcedores adversários, entre elas:

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  • “Vai de jegue?”
  • “O que é que tem no Pará, seu feio?”
  • “Gastou o salário para vir, agora volta a pé.”
  • “O prefeito não te quer em Floripa.”
  • “Olha a tua cor.”
  • “Pobre aqui não fica.”
  • “Tá com fome? Lá tem comidinha de graça.”

Outros torcedores que estavam ao lado dela também aparecem gritando provocações, enquanto um terceiro tenta alertá-la sobre o teor das falas.


Situação da investigação da Polícia Civil

Inicialmente, o caso seria tratado pela 2ª Delegacia da Capital. No entanto, o inquérito foi transferido para a Delegacia de Repressão ao Racismo e Delitos de Intolerância, especializada nesse tipo de crime.

“Não toleraremos condutas dessa natureza em nosso estado, especialmente dentro de estádios de futebol”, afirmou o delegado Paulo Caixeta.

Além de Ana, outros torcedores que aparecem no vídeo também serão investigados.


A torcedora já prestou depoimento?

Ainda não. Com a mudança de delegacia responsável, o depoimento que estava agendado precisará ser remarcado.


Quais crimes podem ser atribuídos?

A Polícia Civil apura possíveis práticas de racismo, injúria racial e xenofobia — crimes previstos na Lei 7.716/1989, cujas penas podem chegar a cinco anos de prisão.


Atuação do Ministério Público

O MPSC também acompanha o caso por meio da 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo enfrentamento ao racismo em todo o estado. A torcedora deverá ser ouvida, e o órgão pretende avaliar, ainda, como o Avaí conduzirá medidas internas.

O procedimento pode resultar em recomendações formais ao clube visando prevenção e combate a práticas discriminatórias.


Posicionamento do Avaí

Em nota, o Avaí repudiou o episódio e afirmou estar colaborando com as investigações. O clube informou ainda que:

  • iniciou imediatamente a identificação da torcedora;
  • suspendeu o acesso dela a jogos e eventos do Avaí por tempo indeterminado;
  • reforçará ações educativas e campanhas contra o racismo e qualquer forma de discriminação.

O clube destacou que atitudes como essa não representam a torcida e reafirmou a necessidade de postura antirracista.


Reações do Remo e das federações

O Clube do Remo classificou o episódio como “repugnante” e cobrou punição aos envolvidos. A Federação Paraense de Futebol (FPF) comunicou que acionou a CBF e a Federação Catarinense de Futebol (FCF).

A FCF lamentou profundamente o ocorrido e declarou que atitudes racistas e xenofóbicas “precisam ser punidas”, reforçando que o futebol deve ser um ambiente de respeito e convivência.


O que diz a defesa de Ana Costa?

A defesa afirmou que o vídeo não representa quem ela é e que a torcedora teria sido alvo de agressões verbais anteriores ao momento gravado. Argumenta ainda que as cenas mostram apenas um “recorte descontextualizado” de uma discussão mútua e isolada.

Ana disse não nutrir preconceito contra paraenses ou nortistas e pediu desculpas às pessoas que se sentiram atingidas pelas falas. A defesa reforçou que ela se coloca à disposição das autoridades.

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