As mudanças climáticas deixaram de ser uma previsão distante e passaram a fazer parte da nossa rotina. Ondas de calor, enchentes, secas e desastres ambientais vêm se tornando cada vez mais frequentes e com eles, um novo tipo de sofrimento começa a aparecer: o emocional.
Pela primeira vez, durante a COP30 em Belém (PA), a saúde mental entrou oficialmente nas discussões sobre o clima. E faz todo sentido. O planeta adoece, e nós adoecemos junto. O calor excessivo que impede o sono, o medo diante das incertezas, a ansiedade sobre o futuro, tudo isso desgasta a mente, mina a energia e afeta diretamente o nosso equilíbrio emocional.
Quem já passou por um desastre natural sabe o quanto isso marca a alma. A perda de casa, de bens, de pessoas queridas e até da sensação de segurança pode deixar feridas profundas. O trauma não termina quando a água baixa ou o fogo apaga. Ele continua nas lembranças, na necessidade de recomeçar, na sensação de não ter mais um chão firme sob os pés.
A crise climática não é apenas ambiental, é também psicológica. Ela provoca medo, impotência e tristeza coletiva. E é por isso que falar sobre resiliência, empatia e apoio emocional é tão urgente quanto falar sobre reflorestamento ou a redução de emissões de poluentes.
Cuidar da mente é também cuidar do planeta. Precisamos fortalecer nossos laços humanos, criar redes de apoio, olhar para o outro com compaixão e exigir que governos e instituições tratem a saúde mental como parte essencial das políticas climáticas. É crucial que governos e instituições reconheçam a saúde mental como uma prioridade nos planos de ação, investindo em programas de apoio psicossocial e estratégias de prevenção. Porque o aquecimento global não afeta só o clima, ela afeta todos nós.
Cláudia Russo é CEO da Burnout Empresarial, palestrante e especialista em saúde mental no trabalho e riscos psicossociais (NR1).
www.burnoutempresarial.com.br










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