Em coletiva de imprensa durante sua passagem pela Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou o compromisso do Brasil com o diálogo internacional, a soberania nacional e a construção de um mundo multipolar. Lula tratou como certa a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para ocorrer em Kuala Lumpur, na Malásia, neste domingo (26), e afirmou que “não há assunto proibido” entre os dois líderes.
A possível reunião marca um momento crucial para as relações Brasil-EUA, especialmente após o tarifaço de 50% imposto por Washington sobre produtos brasileiros — medida considerada arbitrária e prejudicial à economia nacional. Lula pretende apresentar dados técnicos que comprovam os equívocos da taxação e defender os interesses do povo brasileiro.
“Tenho todo interesse nessa reunião. Quero mostrar que houve erro nas taxações, com números e argumentos sólidos. O Brasil não se curva, mas dialoga”, afirmou o presidente.
Defesa da soberania latino-americana
Lula também indicou que pretende abordar a ofensiva militar dos EUA na costa da Venezuela, criticando a postura intervencionista de Trump. Para o presidente brasileiro, a justificativa de combate ao narcotráfico não pode servir de pretexto para ações que violam a soberania de países vizinhos.
“Se o mundo virar uma terra sem lei, vai ficar muito difícil. Não se pode invadir a terra dos outros com base em narrativas unilaterais”, disse Lula, em referência às operações secretas da CIA na Venezuela.
Moeda alternativa ao dólar e multilateralismo
Outro ponto central da agenda é a proposta de adoção de uma moeda alternativa ao dólar nas transações comerciais entre países do Brics. Lula defende há anos a desdolarização como forma de fortalecer a autonomia dos países emergentes e reduzir a dependência do sistema financeiro norte-americano.
“Queremos multilateralismo, não unilateralismo. O Brasil e a Indonésia, por exemplo, podem comercializar com suas próprias moedas. Isso é soberania econômica”, afirmou.
Apesar da pressão de Trump para que Lula abandone a proposta, o presidente brasileiro mantém firme sua posição, respaldado por assessores e líderes do bloco.
Meio ambiente e transição energética
Lula também destacou o papel do Brasil na agenda climática global, lembrando que o país sediará a COP 30 em Belém, no Pará, e que a Petrobras está se transformando em uma empresa de energia, com foco em fontes renováveis.
“O Brasil é um dos países com mais energia limpa do planeta. A Petrobras tem expertise para explorar petróleo com responsabilidade, e vamos usar esses recursos para acelerar a transição energética”, declarou.
Diplomacia ativa e altiva
A aproximação entre Lula e Trump, iniciada com uma breve troca na Assembleia da ONU e consolidada por uma ligação diplomática, mostra que o Brasil está disposto a dialogar — mas sem abrir mão de seus princípios. A reunião, se confirmada, será um teste de maturidade política entre dois líderes com visões distintas de mundo.
“Olho no olho, pegar na mão, abraçar a pessoa. É assim que se constrói confiança. Não há divergência que não possa ser resolvida quando duas pessoas sentam para conversar”, concluiu Lula.










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