Hipérico: a força natural da erva-de-São-João para a saúde mental; confira a coluna de Alésio dos Passos

Entre tantas espécies medicinais reconhecidas pela ciência e pela sabedoria popular, o hipérico (Hypericum perforatum L.), também chamado de erva-de-São-João, ocupa um lugar de destaque. Encontrado em quase todas as farmácias de manipulação do mundo e cultivado nas chamadas “farmácias vivas” de Santa Catarina e de outros estados brasileiros, o hipérico é uma das plantas mais estudadas e respeitadas na fitoterapia moderna.

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A planta prefere locais sombreados e de temperaturas mais amenas, e suas folhas e flores concentram os princípios ativos responsáveis por seus efeitos terapêuticos. O principal deles é a hipericina, substância de cor avermelhada que pode ser observada em infusões e tinturas. Esse componente, junto a outros compostos que atuam em sinergia, faz do hipérico um verdadeiro “remédio completo”, capaz de agir em diferentes dimensões do corpo e da mente.

Um aliado natural da saúde mental

O hipérico é amplamente reconhecido como um antidepressivo e ansiolítico natural, sendo indicado em casos de depressão leve a moderada, ansiedade, insônia, irritabilidade e exaustão mental. Além disso, estudos indicam efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e antivirais, além de benefícios para gastrites, úlceras gástricas, hemorroidas e até na cicatrização de feridas.

Em tempos em que os transtornos mentais se tornam cada vez mais comuns, especialmente diante do ritmo acelerado e das pressões do mundo moderno, o hipérico surge como símbolo de um olhar mais humano e natural sobre o cuidado com a saúde. Afinal, como lembram muitos terapeutas integrativos, a maioria das doenças físicas nasce de um corpo mental adoecido — e a medicina do futuro, ainda que tecnológica, precisará unir corpo e mente em seus tratamentos.

Cuidados e contraindicações

Apesar de sua fama de planta segura e eficaz, o hipérico requer cautela. Ele não deve ser usado sem orientação de um profissional de saúde qualificado, especialmente em combinação com medicamentos alopáticos, pois pode potencializar seus efeitos e causar reações adversas. Pessoas com pele muito clara devem evitar a exposição solar após o uso, já que há relatos de fotossensibilidade. Também há estudos que indicam possível redução da eficácia de anticoncepcionais.

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Entre a ciência e a tradição

Além de seu valor medicinal, o hipérico carrega um rico simbolismo cultural. Em tempos antigos, acreditava-se que ele afastava maus espíritos e trazia sorte — era pendurado nas portas das casas, colocado sob travesseiros para bons sonhos e até carregado por soldados em batalhas como amuleto de proteção.

Hoje, essa antiga planta continua atual, especialmente quando se fala em saúde mental. Em um mundo ansioso, o hipérico é o contraponto natural aos calmantes sintéticos, dividindo espaço com outras ervas como valeriana, mulungu, passiflora, lúpulo, agripalma, capim-limão e flor de laranjeira.

Mas é importante lembrar: o uso de qualquer planta medicinal deve sempre ser acompanhado por profissionais capacitados, especialmente aqueles das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) do SUS, que unem o conhecimento científico à sabedoria tradicional.

O hipérico pode parecer uma planta simples, mas sua força está em lembrar que cuidar da mente é o primeiro passo para curar o corpo.

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