Por Benedito Dias
Não há que se falar em força política de Tarcísio sem Bolsonaro. Sua eleição em São Paulo foi resultado direto da força bolsonarista que o fez governador — e que, em outros tempos, o faria presidente.
E, tal qual seu mentor, Tarcísio começa a revelar seu lado sombrio: fala errado na hora de acertar, mata quando devia fazer viver, sepulta quando devia ressuscitar, odeia quando devia amar.
A ironia do destino escalou Tarcísio de Freitas a parafrasear o próprio Bolsonaro.
Questionado sobre os danos causados pelo metanol às bebidas em São Paulo, o governador respondeu, sem pestanejar:
“No dia em que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar.”
Descaso. Despreocupação.
Foi assim também que Bolsonaro se comportou durante a pandemia, quando perguntado sobre as mortes por Covid-19:
“Não sou coveiro.”
Tarcísio não tem votos. Quem tem é Bolsonaro — menos por feitos políticos e mais por ódio, inveja e ressentimento.
A pergunta é inevitável: a direita conseguirá eleger alguém em 2026?
Bolsonaro está preso e inelegível. E, na política, o trabalho é o chamativo, e a direita não trabalha desde a redemocratização.
O que fizeram Sarney, Collor, Temer e Bolsonaro? O pobre teve alguma satisfação em seus governos?
Sarney nos deixou a lembrança da inflação galopante.
Collor, vaidoso, de nariz empinado, acabou cassado, posteriormente condenado por corrupção e, atualmente, preso.
Temer aprovou a reforma trabalhista prejudicial ao trabalhador.
E Bolsonaro fez a reforma da Previdência, empurrando a aposentadoria para 40 anos de contribuição — um convite, portanto, a morrer antes do primeiro benefício.
Reduziu o valor da pensão por morte, obrigou o professor a ficar mais cinco anos em sala de aula — antes 25, agora 30 — e elevou a contribuição de servidores públicos de 11% para até 22%.
Não se pode negar que Bolsonaro, movido pelo ódio e pela indústria da fake news, tornou-se forte.
Mas, lembrando o texto bíblico, é como quem constrói a casa sobre a areia — não resiste à tempestade.
Aos poucos, o povo percebe que o discurso político da direita é areia movediça: não se sustenta e leva o país ao afogamento.
Agora, para além do metanol, a direita embriaga-se também em sua própria disputa por espaço.
O clã Bolsonaro se divide: o Zero Três alfineta Tarcísio; o presidente do PL se estranha com Eduardo; Ciro Nogueira se debate com Caiado.
É, portanto, a rinha da direita — onde os galos se engalfinham até a exaustão e morrem, uns pelas esporadas, outros de puro cansaço.
A estratégia para destruir Lula também fracassou.
Eduardo Bolsonaro mudou-se para Washington tentando convencer Trump de que o Brasil vivia uma ditadura.
Historicamente, a arma dos EUA contra ditaduras é a sanção econômica — e foi o que aconteceu.
Trump desenterrou a Magnitsky Act e supertarifou o Brasil, além de sancionar autoridades.
Mas o tiro saiu pela culatra.
Em Nova York, após o discurso de Lula, Trump percebeu um homem bom à frente do Brasil.
Um abraço e uma ligação bastaram para que o xerife do mundo notasse que o “tarifaço” não surtiu o efeito esperado.
O Brasil perdeu pouco, ganhou muito — conquistou novos mercados e fortaleceu laços comerciais com a China, a maior concorrente dos EUA.
E o Edu? Ainda está por lá — sabe-se até quando. Trump não gosta de perdedor, e muito menos de fuxiqueiro.
Com a possibilidade de o presidente americano aceitar o convite de Lula para a COP-30, em Belém, o Edu não dorme há semanas, e a direita, por aqui, está rodando no ringue com o cruzado esquerdo do velhinho de 80 anos.
E agora, José?
Há uma pedra no meio do caminho — e será preciso removê-la.
Maria Madalena, a caminho do túmulo de Jesus, perguntou: “Quem removerá a pedra?”
Um anjo veio do céu e a rolou.
Mas, nessa demanda da direita, não há anjos.
Os que pareciam anjos, não são.
Caiado posa de governador da segurança pública com a frase: “Em Goiás, bandido não se cria.”
Na verdade, seria: “Em Goiás, ladrão de celular não se cria” — porque, na terra do agro, as outras espécies de bandidos circulam livremente.
Zema, o “anjo” de Minas, se queima em frases e ignorância institucional.
Ratinho Jr., um tremendo desconhecido, carrega a herança do pai — que ainda vê o regime militar como boa proposta de governança. O apresentador, aliás, já teceu elogios ao AI-5 de 1968.
Restou Tarcísio — a aposta do mercado e do bolsonarismo para derrubar Lula.
Justamente no momento mais crucial da saúde pública paulista, diante da contaminação de bebidas com metanol, ele responde prazerosamente aos repórteres:
“Só vou me preocupar no dia em que a Coca-Cola for falsificada.”
Ou seja: nunca, não é?
Já ouvi isso na pandemia, quando milhares morriam sem vacina.
Enquanto isso, Lula faz o que o povo precisa — e cresce para conquistar o quarto mandato.
Como acreditar numa direita que defende a blindagem de parlamentares na prática de ilícitos?
Como compreender quem apoia sanções contra o próprio país?
Como apoiar um grupo que nega aos mais pobres o dinheiro do pão, da saúde, do remédio, da educação?
São bilhões que a direita enfia no bolso dos bilionários ao rejeitar o IOF — dinheiro que engorda bancos, bets, especuladores e investidores que nada produzem.
A aposta da direita bebeu metanol, embriagou-se e cambaleia. Não vai enxergar a subida da rampa.









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