Quem semeou ódio, agora prova o fruto da própria lavoura
A Bíblia é clara: “Tudo aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. Não há hermenêutica criativa, nem “interpretação alternativa”. É simples: plantou, colheu. O agricultor que planta milho não vai se surpreender com mandioca brotando no roçado. E chegou a hora da safra política de Jair Messias Bolsonaro.
O autoproclamado “imbrochável”, “atleta” e saltador de paraquedas, que se dizia “intemível” em plena pandemia, agora experimenta a colheita de suas próprias sementes. Não escrevo este artigo por ódio, vingança ou coisa do gênero. Graças a Deus, já passei pela cruz e nada neste mundo me faz desejar o mal para quem quer que seja. Contudo, é oportuno lembrar que, enquanto o mundo se isolava diante de um vírus desconhecido e mortal, Bolsonaro ria da tragédia nacional, diagnosticando a COVID como “gripezinha”.
Enquanto famílias inteiras agonizavam em hospitais sem oxigênio, o presidente zombava, imitando a falta de ar. Enquanto caixões se empilhavam em cemitérios, ele dizia que não era “coveiro”. Enquanto o povo clamava por vacina, ele brigava com João Doria, mandava comprar imunizante “na casa da mãe” e ainda ameaçava jornalistas com porrada. Entre caixões, vacinas e golpe: a ceifa não tardou.
Mas o tempo é juiz implacável. Hoje, Bolsonaro enfrenta prisão domiciliar em sua mansão em Brasília e foi surpreendido pelo inimigo invisível da falta de ar — o mesmo que tirou a vida de milhares de brasileiros. A diferença é que, na agonia, não resistiu dez segundos sem oxigênio: saiu às pressas atrás do mesmo ar que negou ao povo no auge da pandemia. Plantou desprezo, colhe ironia da história.
E a safra não para aí. Quem achava que a colheita só viria no “juízo final” se enganou: é aqui mesmo que a roda começa a girar. E, como toda safra, os frutos precisam ser distribuídos no mercado. No caso de Bolsonaro, o mercado do mal está abarrotado: ódio, extremismo, intolerância, estímulo à violência. A mercadoria da colheita bolsonarista já circula em carretas de som, caminhadas, lives inflamadas, discursos raivosos e corações superlotados de ódio.
Michelle Bolsonaro, que nunca esteve fora dessa engrenagem, segue convocando o povo às ruas em nome de “anistia”. Mas anistia para quem? Num Brasil onde muitos cidadãos, em sua maioria negros, são condenados injustamente, o pedido não é pela liberdade do pobre esquecido nas prisões. É pelo líder de uma organização que não hesitou em tentar um golpe contra a democracia”. É pelo líder de uma organização que não hesitou em tentar um golpe contra a democracia.
Chegou a safra. O agricultor político que apostou no cultivo da mentira, do deboche e da morte agora vê nascer o fruto amargo da sua própria lavoura. A terra devolve o que recebeu. O mercado absorve o que é produzido. E o povo, mais cedo ou mais tarde, aprende que a colheita pode até demorar, mas nunca falha. O tempo devolve em safra o que Bolsonaro espalhou em sementes.
O capitão, que vai perder a patente que nunca deveria ter recebido, já não pode mais ver polícia, ouvir sirene ou o toque da campainha de sua casa: treme todo e corre para o hospital. Quando vejo isso, lembro da estupidez do mesmo capitão em 2015: “Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com um câncer…” — se referindo à ex-presidente Dilma Rousseff.
Quem planta, colhe. E colhe mais do que planta.
“A safra chegou, e o Brasil assiste à colheita da própria tragédia.









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