Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) revelou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode provocar um impacto bilionário no PIB catarinense. Caso as tarifas sejam mantidas por até dois anos, o estado pode registrar uma retração de R$ 1,2 bilhão, além da perda de aproximadamente 20 mil empregos e de R$ 171,9 milhões em arrecadação de ICMS.
Segundo a pesquisa, a Serra Catarinense deve ser a região mais atingida, devido à baixa diversificação industrial e à forte dependência do setor madeireiro voltado para exportações aos EUA.
Queda na competitividade
Com a tarifa, os produtos catarinenses ficam até 50% mais caros para os compradores americanos. Esse aumento reduz a competitividade e abre espaço para concorrentes da Ásia e da América Latina, que podem ocupar rapidamente o mercado deixado por Santa Catarina.
A busca por novos destinos, como União Europeia, Oriente Médio e América Latina, esbarra em barreiras tarifárias, sanitárias e logísticas, dificultando a substituição imediata do mercado norte-americano.
Setores mais afetados
De acordo com a Fiesc, os principais produtos exportados por Santa Catarina aos Estados Unidos em 2024 foram:
Produtos de madeira: 37,3%
Veículos e autopeças: 14,8%
Equipamentos elétricos: 13,3%
Máquinas e equipamentos: 6,8%
Móveis: 6,7%
Produtos alimentícios: 6,6%
Outros setores (químicos, minerais, papel, transporte): 14,5%
Impacto regional
O estudo mostra que o tarifaço deve atingir diferentes regiões do estado de forma desigual:
Serra Catarinense: queda de até 0,53% no PIB local, com risco de aceleração da estagnação econômica e migração populacional.
Norte: retração de 0,30%, amenizada pela diversificação industrial em cidades como Joinville e Jaraguá do Sul.
Oeste: queda de 0,25%.
Vale do Itajaí: queda de 0,22%.
Sul: queda de 0,17%.
Grande Florianópolis: impacto menor no curto prazo, mas risco de queda de até 0,99% no PIB em quatro anos, por efeito cascata em setores de comércio e serviços.
Perspectiva
De acordo com o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, mesmo em cenários otimistas, os efeitos negativos já são significativos:
“A menor diversificação industrial em algumas regiões e a dependência da exportação de madeira aumentam a vulnerabilidade do estado. Mesmo com esforços de diversificação, os impactos devem ser sentidos em diferentes escalas regionais.”









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