Meteotsunami atinge Laguna

Fenômeno raro fez o mar avançar rapidamente na Praia do Cardoso e também foi registrado em Jaguaruna e Imbituba

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Um avanço repentino do mar chamou a atenção no litoral sul de Santa Catarina na manhã de 21 de setembro. Em Laguna, a Praia do Cardoso, na região do Farol de Santa Marta, foi uma das áreas mais atingidas pelo fenômeno posteriormente confirmado pela Defesa Civil estadual como um meteotsunami, também chamado de tsunami meteorológico.

A água avançou rapidamente sobre a faixa costeira, atingindo ruas e estabelecimentos, arrastando equipamentos de pesca e deslocando embarcações. Segundo a Defesa Civil de Laguna, o episódio provocou danos materiais, incluindo a queda de parte do muro de uma igreja local. Não houve registro de pessoas feridas.

O fenômeno também foi registrado em Jaguaruna e Imbituba, mostrando que o episódio não ficou restrito à Praia do Cardoso. A confirmação técnica foi feita a partir do cruzamento de informações de radares meteorológicos, imagens de satélite, câmeras de segurança e registros dos marégrafos instalados em Laguna e Imbituba.

COMO ACONTECE

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Apesar do nome, um meteotsunami não é provocado por terremoto. O fenômeno ocorre a partir de uma combinação de condições atmosféricas, como linhas de instabilidade, mudanças rápidas na pressão atmosférica e ventos fortes.

Na manhã do dia 21, uma linha de instabilidade avançou pelo Litoral Sul acompanhada de rajadas de vento entre 60 e 90 km/h. A combinação das alterações atmosféricas com as condições do oceano provocou uma elevação rápida do nível do mar, registrada pelos equipamentos de monitoramento.

O episódio chama atenção também pela rapidez. Diferentemente de uma ressaca comum, o meteotsunami pode provocar uma oscilação significativa do nível do mar em poucos minutos, fazendo a água avançar sobre áreas costeiras de maneira inesperada.

LAGUNA JÁ HAVIA REGISTRADO

A ocorrência de setembro não foi a primeira na Praia do Cardoso. Em 11 de novembro de 2023, a mesma região registrou um meteotsunami que provocou uma elevação abrupta do nível do mar.

Naquele episódio, estudos da Epagri/Ciram identificaram a relação entre uma linha de instabilidade, fortes rajadas de vento e alterações na pressão atmosférica. Os registros dos marégrafos de Laguna e Imbituba ajudaram a confirmar o fenômeno.

A repetição do fenômeno no mesmo trecho do litoral reforça a importância do monitoramento das condições meteorológicas e oceânicas, especialmente em períodos de instabilidade.

Para moradores, pescadores, trabalhadores da orla e frequentadores das praias, o episódio deixa um alerta simples: diante de uma mudança brusca nas condições do tempo e do avanço inesperado do mar, é necessário deixar imediatamente as áreas de risco e acompanhar as orientações da Defesa Civil.

O meteotsunami de 21 de setembro entrou para os acontecimentos que marcaram o mês no litoral sul catarinense — e mostrou, mais uma vez, como a combinação entre atmosfera e oceano pode alterar rapidamente as condições da costa.

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