IMBITUBA PODE VOLTAR A TER VOZ
Há momentos na história de uma cidade que ultrapassam partidos, grupos políticos e disputas eleitorais. São momentos em que uma comunidade é chamada a refletir sobre seu espaço no cenário regional, estadual e nacional.
Imbituba já viveu tempos de grande protagonismo político.
Quando ainda dava seus primeiros passos como município, Álvaro Monteiro de Barros Catão, primeiro prefeito, então chamado de superintendente, levou o nome de Imbituba ao Parlamento catarinense. Catão exerceu três mandatos como deputado estadual, nas legislaturas de 1925 –1927, 1928 –1930 e 1935 –1937, tendo participado também da Constituinte de 1928.
Depois dele veio Octacílio Nascimento, filho de Imbituba, que presidiu o PTB catarinense e foi eleito deputado estadual com 2.641 votos, integrando a Assembleia Legislativa entre 1951 e 1955.
Mas a presença de Imbituba na política catarinense não ficou restrita à ALESC.
Um imbitubense chegou ainda mais longe.
Álvaro Luís Bocayuva Catão, nascido em Imbituba em 1920 e filho de Álvaro Catão, foi eleito deputado federal por Santa Catarina em 1962 pela União Democrática Nacional (UDN), exercendo mandato na Câmara dos Deputados entre 1963 e 1967.
Após a reorganização partidária ocorrida durante o regime militar, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e, em 1966, tornou-se primeiro suplente do senador Celso Ramos. Convocado, exerceu o mandato no Senado Federal entre 1967 e 1970.
Décadas depois, Imbituba voltaria a chegar ao Senado.
SELMA E BETO: IMBITUBA NO SENADO DA REPÚBLICA
Em 5 de agosto de 2010, a imbitubense Selma Elias Westphal, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), tomou posse como senadora por Santa Catarina.
Segunda suplente da chapa originalmente encabeçada por Leonel Pavan, Selma assumiu a cadeira durante licença do primeiro suplente, Neuto de Conto, e permaneceu no exercício do mandato até 30 de setembro de 2010.
Era um acontecimento histórico.
Nascida em Imbituba, professora e pedagoga, Selma havia construído trajetória na educação e na política catarinense. Era filha de Eduardo Elias, ex-prefeito do município. Em sua posse, o próprio Senado registrou que ela se apresentava como a primeira cidadã de Imbituba a ocupar uma cadeira naquela Casa.
Quatorze anos depois, a história ganharia um novo capítulo.
Em 6 de agosto de 2024, José Roberto Martins, o Beto Martins, do Partido Liberal (PL), tomou posse como senador da República por Santa Catarina.
Ex-vereador e ex-prefeito de Imbituba, além de ter exercido funções no Governo de Santa Catarina, Beto era segundo suplente da chapa eleita em 2018 e assumiu o mandato durante licença de 120 dias da senadora Ivete da Silveira.
O simbolismo daquele momento foi reconhecido pelo próprio Beto em seu primeiro pronunciamento no Senado.
Ao falar de sua cidade, lembrou expressamente que não seria o único ex-senador de Imbituba e recordou a passagem de Selma Elias Westphal pela Casa.
Imbituba, portanto, já experimentou mais de uma vez o orgulho de ver pessoas profundamente ligadas à sua história ocuparem cadeiras no Senado Federal.
Selma Elias Westphal e Beto Martins levaram o nome de Imbituba ao plenário do Senado, em Brasília, fatos que permanecem na memória política local e que até hoje reverberam no sentimento de orgulho de muitos imbitubenses.
É algo significativo para uma cidade do litoral Sul catarinense.
Ao longo de diferentes gerações, Imbituba conseguiu projetar nomes para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Câmara dos Deputados e Senado Federal.
Houve, portanto, períodos em que uma cidade relativamente pequena conseguia transformar sua importância econômica e social em presença nos principais espaços políticos de Santa Catarina e do Brasil.
TICO E O RETORNO À ALESC
Décadas depois dos primeiros representantes, Imbituba voltaria a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa com Manoel Victor Cavalcanti, o Tico.
Ligado profissionalmente e politicamente ao município, Tico trabalhou na Prefeitura de Imbituba, na antiga ICC e no Porto Henrique Lage.
Em 1990, concorreu a deputado estadual pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), recebeu 5.515 votos, ficou suplente e posteriormente foi convocado, integrando a 12ª Legislatura da ALESC, entre 1991 e 1995.
Desde aquela geração, porém, Imbituba não conseguiu estabelecer novamente uma representação própria e continuada no Parlamento estadual. E isso importa.
REPRESENTAÇÃO POLÍTICA NÃO É APENAS UM CARGO
Ter um representante diretamente identificado com uma cidade significa ter alguém que conhece de perto suas discussões sobre orçamento, infraestrutura, saúde, educação, desenvolvimento econômico, turismo, pesca, meio ambiente, mobilidade e tantas outras políticas que interferem diretamente na vida das pessoas.
Um deputado estadual não pertence exclusivamente ao município onde nasceu ou construiu sua trajetória. Ele representa Santa Catarina inteira.
Mas é natural que conheça profundamente os problemas, as potencialidades e as reivindicações da região de onde veio.
É diferente conhecer Imbituba pelo mapa e conhecer suas comunidades.
É diferente ouvir falar sobre o Porto e acompanhar sua importância econômica.
É diferente discutir pesca artesanal sem conhecer as famílias que vivem dela.
É diferente falar sobre BR-101, acessos, turismo, praias, desenvolvimento industrial, saúde regional e infraestrutura sem conviver diariamente com essa realidade.
Representatividade significa levar essa experiência para dentro do Parlamento.
E a questão não se limita a Imbituba.
Estamos falando também da AMUREL e do Sul de Santa Catarina, uma região que reúne centenas de milhares de eleitores, produz riqueza, recebe visitantes de todo o Brasil e possui demandas que frequentemente dependem de decisões tomadas em Florianópolis e Brasília.
A presença de representantes da região amplia os canais pelos quais essas questões podem chegar ao debate estadual.
2026 COLOCA IMBITUBA DIANTE DE UMA NOVA POSSIBILIDADE
Na eleição de 2026, Rosenvaldo da Silva Júnior, do PDT, apresenta-se como candidato a deputado estadual e como um nome diretamente vinculado a Imbituba.
Sua candidatura ocorre depois de oito anos à frente da Prefeitura, entre 2017 e 2024.
Esse período administrativo, assim como suas propostas atuais, sua trajetória política e os questionamentos e controvérsias relacionados às administrações municipais daquele período, integra o conjunto de informações que cabe ao eleitor considerar ao formar sua própria avaliação.
Entre os temas que marcaram o debate público regional esteve a Operação Mensageiro, investigação que alcançou diversos municípios catarinenses e contratos relacionados ao setor de coleta de resíduos.
No caso de Imbituba, contratos municipais estiveram entre os objetos investigados. Reportagens publicadas durante a operação registraram que Rosenvaldo não figurava, naquele momento, entre os denunciados. Essa distinção é importante: a existência de investigação sobre contratos relacionados ao município não equivale, por si só, à responsabilização pessoal do então prefeito.
Da mesma maneira, os resultados administrativos, as contas públicas, as políticas implementadas durante os oito anos de governo e as propostas apresentadas em 2026 são elementos que podem ser examinados pelo eleitor.
A decisão sobre o significado político de cada um desses fatos pertence ao cidadão.
UMA HISTÓRIA QUE IMBITUBA JÁ CONHECE
Talvez um dos aspectos mais interessantes desta eleição seja justamente olhar para trás.
Há aproximadamente um século, Imbituba ainda começava sua caminhada como município e já possuía voz no Parlamento catarinense com Álvaro Catão.
Depois vieram Octacílio Nascimento e a projeção nacional de Álvaro Luís Bocayuva Catão.
Décadas mais tarde, Manoel Victor Cavalcanti, o Tico, levou novamente o nome da cidade à ALESC.
E a história política imbitubense ainda reservaria dois momentos particularmente simbólicos: Selma Elias Westphal, em 2010, e José Roberto “Beto” Martins, em 2024, exerceram o mandato de senador da República por Santa Catarina.
Poucos municípios do porte de Imbituba podem contar sua história política passando por tantas esferas de representação.
ALESC.
Câmara dos Deputados.
Senado Federal.
Em diferentes épocas, pessoas ligadas a Imbituba chegaram a esses espaços.
Essa história demonstra que a presença de representantes ligados ao município nas grandes esferas de decisão não é uma ideia estranha à identidade imbitubense.
Ela faz parte da nossa própria história.
Por isso, a eleição de 2026 também pode ser observada sob essa perspectiva.
Independentemente das preferências partidárias de cada cidadão, existe uma pergunta legítima a ser feita:
qual seria o significado para Imbituba de voltar a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina?
Essa reflexão ultrapassa uma eleição.
Trata da posição que uma cidade deseja ocupar no debate público catarinense.
IMBITUBA, AMUREL E SANTA CATARINA
Uma eventual representação originária de Imbituba não precisaria significar uma atuação limitada às fronteiras municipais.
Ao contrário.
Os grandes desafios contemporâneos são regionais.
Saúde pública não termina na divisa entre Imbituba, Imaruí, Laguna, Garopaba ou Paulo Lopes.
Mobilidade não termina na placa que separa um município de outro.
Turismo, desenvolvimento econômico, Porto, pesca, infraestrutura e meio ambiente também não. A AMUREL compartilha problemas e oportunidades.
Por isso, qualquer parlamentar eleito a partir dessa região será chamado a compreender que sua responsabilidade se estende aos municípios vizinhos e, naturalmente, a todo o Estado de Santa Catarina.
Foi assim que personagens ligados a Imbituba chegaram, no passado, ao Parlamento estadual, à Câmara dos Deputados e ao Senado da República.
A história mostra que Imbituba, embora menor em população e território do que os grandes centros catarinenses, já teve presença relevante na política estadual e nacional.
Talvez seja essa uma das principais reflexões que 2026 coloca diante da cidade.
Não se trata apenas de lembrar com orgulho aquilo que Imbituba já viveu.
Trata-se de discutir o espaço que Imbituba pretende ocupar no futuro.
Uma cidade economicamente importante, dona de um dos principais portos de Santa Catarina, inserida em uma região estratégica, com vocação turística, pesqueira, portuária e industrial, e que também busca fazer suas demandas chegarem aos lugares onde as grandes decisões são tomadas.
Quase um século depois de Álvaro Catão chegar ao Parlamento catarinense, décadas depois da passagem de Tico pela ALESC e após ver Selma Elias Westphal e Beto Martins ocuparem cadeiras no Senado Federal, a possibilidade de Imbituba voltar a ter um representante diretamente ligado ao município na Assembleia Legislativa está novamente colocada diante de seus eleitores.
A decisão, como sempre em uma democracia, pertence a cada cidadão.
Mas a própria história de Imbituba oferece uma reflexão:
quando uma cidade possui representantes nos espaços de decisão, suas demandas dispõem de mais canais para chegar ao debate público.




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